Irã nega negociações com EUA e condena hostilidade no Caribe
Aiatolá Khamenei denuncia plano norte-americano de incitar guerra global por petróleo e recursos naturais na América Latina
O Líder Supremo do Irã, Aiatolá Khamenei, declarou na quinta-feira (27/11) que o governo dos Estados Unidos não é “digno de negociar ou cooperar com a República Islâmica” e negou que haja qualquer comunicação atual entre as duas nações.
Suas declarações foram feitas durante um discurso para a milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, no qual ele rejeitou categoricamente os rumores de trocas diplomáticas. “Os rumores de mensagens indiretas sendo enviadas entre o Irã e os Estados Unidos são pura mentira”, enfatizou.
O presidente iraniano questionou o apoio dos Estados Unidos ao regime sionista de Israel e seu plano de incitar uma guerra global por petróleo e recursos subterrâneos, ações evidentes na América Latina. Ele parabenizou a Força de Resistência Popular do Irã (Basij) e a resistência na Faixa de Gaza e no Líbano, afirmando que a expansão da resistência teve início a partir dos valores fundamentais da Basij no Irã.
O aiatolá Khamenei publicou em sua conta nas redes sociais que “por petróleo e minerais subterrâneos, os norte-americanos estão dispostos a desencadear guerras em qualquer lugar do mundo, e hoje essa beligerância também chegou à América Latina”.

O Líder Supremo do Irã afirmou que, na guerra de 12 dias em junho, o Irã derrotou tanto os Estados Unidos quanto os sionistas
@es_Khamenei / X
Nos últimos dias, a mídia internacional especulou sobre supostos contatos renovados entre Teerã e Washington, incluindo a possível mediação do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman durante sua visita aos EUA, mas Khamenei rejeitou essas notícias.
Este contexto surge após cinco rodadas de negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano, mediadas pelo Catar entre abril e junho de 2025 e interrompidas pelo início da Guerra dos Doze Dias, iniciada por Israel.
O líder iraniano afirmou que “na guerra de 12 dias de junho, o Irã derrotou tanto os Estados Unidos quanto os sionistas, sem sombra de dúvida”. Ele lembrou que Israel bombardeou instalações civis, militares e nucleares iranianas por 12 dias consecutivos, durante os quais 30 oficiais militares de alta patente e 10 cientistas nucleares foram mortos.
Entretanto, os Estados Unidos atacaram três importantes instalações nucleares, o que, segundo Teerã, interrompeu temporariamente sua capacidade de enriquecimento de urânio. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel e atacou uma base norte-americana no Catar, sem causar vítimas e após aviso prévio às autoridades locais. Khamenei insistiu que essas ações refletem a “resistência inabalável” da República Islâmica à agressão externa.
Khamenei afirmou que, apesar das diferenças políticas, o povo deve permanecer unido contra o inimigo e os exortou a apoiar o governo na resolução dos problemas e na melhoria do país. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, anunciou na quarta-feira (25/11) que o Irã estaria aberto ao diálogo com os Estados Unidos sobre a questão nuclear, assim que Washington abandonasse sua postura ditatorial e um acordo benéfico para ambos os lados pudesse ser alcançado.























