Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
APOIE
Menu

Um grupo bipartidário de congressistas norte-americanos anunciou na terça-feira (02/12) a apresentação de uma nova resolução para forçar uma votação no Congresso a fim de bloquear qualquer ação militar do governo Trump na Venezuela.

A iniciativa responde à crescente preocupação com o destacamento militar no Caribe, no âmbito da Operação “Lança do Sul”, e com as mais de 80 execuções extrajudiciais realizadas sob o pretexto de combater o tráfico de drogas.

Parlamentares, incluindo os democratas Tim Kaine, Chuck Schumer e Adam Schiff, juntamente com o republicano Rand Paul, classificaram uma possível intervenção militar na Venezuela como “um erro colossal e custoso que colocaria desnecessariamente em risco a vida de nossos militares”. Essa posição ressalta a preocupação generalizada com as implicações de um conflito na região e revela um alarme crescente dentro do próprio partido de Trump.

Além disso, os representantes Jim McGovern e Joaquin Castro (ambos democratas) e Thomas Massie (republicano) apresentaram sua própria resolução na Câmara dos Representantes. Essa medida busca impedir hostilidades sem autorização prévia do Congresso, reafirmando o papel constitucional do Poder Legislativo em decisões relativas à guerra.

Membros do Congresso alertaram que, caso ocorra um ataque, invocarão a “Resolução sobre Poderes de Guerra” para iniciar um debate e uma votação que impeçam o uso das forças armadas no país sul-americano. Essa iniciativa legislativa surge em meio à intensa atividade militar e às crescentes ameaças contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

Além do destacamento militar liderado pelo porta-aviões USS Gerald Ford, as forças americanas realizaram pelo menos 22 ataques no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental desde setembro

Além do destacamento militar liderado pelo porta-aviões USS Gerald Ford, as forças americanas realizaram pelo menos 22 ataques no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental desde setembro
@Southcom

Além do destacamento militar liderado pelo porta-aviões USS Gerald Ford, as forças norte-americanas realizaram pelo menos 22 ataques no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental desde setembro. Isso ocorre após o recente anúncio de Donald Trump sobre operações terrestres iminentes contra supostos cartéis de drogas. Essas ações atraíram condenação de governos e organizações e reacenderam o debate sobre a política externa de Washington na região.

A preocupação transcendeu as linhas partidárias, com comissões do Congresso, incluindo membros republicanos, anunciando investigações sobre a campanha militar na Venezuela. Essa situação evidencia um alarme crescente até mesmo dentro do próprio partido do presidente Donald Trump, apontando para divisões internas sobre a estratégia a ser seguida.

Na segunda-feira (01/12), o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, já havia ameaçado levar uma “Resolução de Poderes de Guerra” à votação no Congresso, numa tentativa de limitar um possível destacamento militar dos EUA para o Caribe. Schumer declarou no Twitter: “Se o governo Trump prosseguir com seus planos de lançar ataques militares contra a Venezuela, apresentaremos uma Resolução de Poderes de Guerra para bloquear o envio de forças americanas para a Venezuela. A segurança de nossas tropas e nossa segurança nacional estão em jogo”.

Uma “Resolução sobre Poderes de Guerra” exige maioria simples em ambas as casas do Congresso para ser aprovada. Embora tal resolução possa ser posteriormente vetada pelo Presidente dos Estados Unidos, a derrubada de um veto exigiria uma maioria de dois terços tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. Atualmente, os republicanos detêm maiorias apertadas em ambas as casas, o que poderia dificultar a derrubada de um possível veto presidencial.