Maduro desembarca em Nova York após ser sequestrado na Venezuela
Presidente venezuelano deixou aeronave vestindo um moletom de cor clara com capuz, algemado e sob escolta de agentes
Atualizada em 03/01, às 19h50
O presidente da Venezuela Nicolás Maduro desembarcou em Nova York na noite deste sábado (03/01), após ter sido sequestrado em território venezuelano por agentes dos Estados Unidos.
Ele deixou a aeronave às 19h22 (horário de Brasília), vestindo um moletom de cor clara com capuz, algemado e sob escolta de agentes do FBI e da DEA (Administração de Repressão às Drogas).
A aeronave pousou por volta das 18h30 (horário de Brasília) no Aeroporto Internacional Stewart, no Vale do Hudson, a cerca de 96 quilômetros ao norte de Manhattan. Nas imagens do desembarque, não foi possível identificar a presença de Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro, que também foi capturada.
Segundo a CBS News, após serem entregues às autoridades federais, os dois devem ser transferidos para o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, e apresentados a um juiz em um tribunal federal de Manhattan na próxima semana.
‘Único presidente é Maduro’
Ao denunciar a agressão militar “sem precedentes” dos Estados Unidos, a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez defendeu que “há apenas um presidente neste país e seu nome é Nicolás Maduro Moros”. Seu pronunciamento se deu logo após uma coletiva de imprensa concedida pelo mandatário norte-americano Donald Trump neste sábado (03/01), durante a qual declarou que governará a Venezuela “até que possa haver uma transição segura”.
A vice-presidente exigiu a “libertação imediata” de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, reafirmando o venezuelano sequestrado como o “único presidente da Venezuela.”
De acordo com Rodríguez, o verdadeiro objetivo dos ataques coordenados pelo republicano é a “mudança de regime na Venezuela”, que permitiria aos Estados Unidos “capturar nossa energia, minerais e recursos naturais”. Ainda em seu pronunciamento, a vice relatou que “todo o poder nacional” da Venezuela foi acionado, incluindo a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), os militantes e o próprio povo, tendo como objetivo ratificar a defesa da independência, soberania e integridade territorial. Ela falou em “fusão policial, militar e popular”, e sustentou a necessidade de “um único corpo” para defender “nossa amada Venezuela”.
Assista ao comunicado de Delcy Rodríguez
Segundo Trump, em sua fala à imprensa, Maduro e sua esposa foram levados aos Estados Unidos no U.S.S. Iwo Jima, um dos navios de guerra do país que têm patrulhado o Caribe. Horas antes da coletiva em Mar-a-Lago, na Flórida, o norte-americano havia publicano na plataforma Truth Social uma imagem do presidente venezuelano, com os dizeres: “Nicolas Maduro a bordo do USS Iwo Jima”.
Em entrevista à Fox News, logo após o ataque, ele afirmou ter acompanhado durante a madrugada todo o processo de sequestro realizado pela CIA e o FBI. Maduro e a primeira-dama serão julgados no Distrito Sul de Nova York, em Manhattan.
Ainda em seu discurso, Rodríguez mencionou o apoio internacional de países integrantes da América Latina, do Caribe, da África e da Ásia, que emitiram manifestações públicas condenando o ataque coordenado por Trump nesta madrugada. Segundo ela, os governos do mundo estão chocados com o recente ataque norte-americano.
“O véu foi rasgado, já vimos a luz e eles querem nos devolver à escuridão. As correntes foram quebradas, já fomos livres e nossos inimigos pretendem escravizar novamente”, afirmou a vice, citando o libertador Simón Bolívar. “[A Venezuela] nunca mais será uma colônia de nenhum império”.
(*) Com Telesur
























