Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou nesta segunda-feira (22/12) uma denúncia aos chefes de Estado do mundo e à Organização das Nações Unidas (ONU) alertando para a escalada das hostilidades “extremamente graves” promovidas pelos Estados Unidos.

O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, durante um evento oficial na Casa Amarela “Antonio José de Sucre”. No documento, Caracas adverte sobre as ações militares norte-americanas sob o pretexto de operações de combate ao narcotráfico.

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A carta detalha que, desde 14 de agosto, os EUA, sob a Presidência de Donald Trump, ordenaram o maior destacamento naval e aéreo na região nas últimas décadas, incluindo a presença de um submarino nuclear na costa venezuelana como parte da chamada “Operação Lança do Sul” .

Segundo o governo venezuelano, a mobilização “não tem qualquer justificativa” e constitui uma ameaça direta de uso da força, violando a declaração da América Latina e do Caribe como Zona de Paz e o Tratado de Tlatelolco, que proíbe armas nucleares na região.

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A declaração lembra que que, entre 2 de setembro e 18 de dezembro de 2025, as forças norte-americanas perpetraram 28 ataques armados contra embarcações civis no Caribe. Segundo dados apresentados pelo Ministério das Relações Exteriores, essas ações resultaram na morte extrajudicial de 104 pessoas, muitas delas indefesas após o naufrágio de suas embarcações.

A Venezuela descreveu esses eventos como uma violação flagrante das Convenções de Genebra e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, observando que o uso de forças estatais para atacar embarcações civis e suas cargas define “uma prática de pirataria moderna”.

“Se o uso unilateral da força, a execução de civis, a pirataria e o saque dos recursos de estados soberanos forem tolerados, o mundo caminha para um cenário de confronto global de proporções imprevisíveis”, alerta o texto lido pelo Ministro das Relações Exteriores, Gil.

Maduro, por meio do documento, alertou que essas agressões transcendem as fronteiras venezuelanas, uma vez que “o bloqueio e a pirataria contra o comércio de energia venezuelano” impactam diretamente o fornecimento de petróleo, aumentando a instabilidade nos mercados internacionais.

Venezuela reafirma “compromisso com paz, mas também determinação inabalável de defender sua soberania”
Nicolás Maduro/Telegram

Assim, o governo venezuelano enfatizou que “a energia não pode ser usada como arma de guerra”, já que esse cerco atinge com mais força as economias mais vulneráveis ​​da região e do mundo.

Nesse mesmo sentido, a carta faz um apelo urgente às nações do mundo para que condenem explicitamente essas ações e acionem os mecanismos do sistema multilateral para sancionar os responsáveis. A carta, enviada por nota diplomática aos 194 Estados-membros da Assembleia Geral das Nações Unidas, reafirma o “compromisso da nação com a paz, mas também sua determinação inabalável de defender sua soberania e seus recursos contra qualquer tentativa de intimidação militar ou colonialista”.

Apoio russo

Também nesta segunda-feira (22/12) o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, manteve uma conversa telefônica com seu homólogo russo, Sergey Lavrov, para abordar as agressões dos EUA no Mar do Caribe.

A autoridade russa expressou a solidariedade do governo do presidente Vladimir Putin ao povo venezuelano e ao presidente Nicolás Maduro, reafirmando seu total apoio diante das hostilidades imperialistas contra a Venezuela.

Segundo Lavrov, a Rússia apoia a Venezuela “na defesa da Zona de Paz da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e do direito internacional, enfatizando que este tipo de agressão não pode ser tolerado “.

Moscou ainda demonstrou apoio às iniciativas empreendidas por Caracas no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas e enfatizou que seu país fornecerá todo o apoio necessário para combater o bloqueio contra a nação sul-americana.

A reunião ocorre dias após uma conversa telefônica entre Maduro e Putin, ocasião em que aprofundaram o desenvolvimento de suas relações bilaterais no âmbito do Acordo de Parceria Estratégica e Cooperação, que entrou em vigor em novembro de 2025.

(*) Com TeleSUR