Marinha dos EUA é investigada após acusação de ataque a sobreviventes no Caribe
Alto comando militar é pressionado em reunião confidencial com parlamentares, que avaliam operação realizada em setembro contra embarcação acusada de narcotráfico
A Marinha dos Estados Unidos realiza, nesta quinta-feira (04/12), uma reunião confidencial com legisladores do Congresso responsáveis pela segurança nacional, em meio à acusação de que o Pentágono teria autorizado um ataque contra um barco com sobreviventes de um bombardeio no Caribe, em setembro.
A reunião ocorre entre os deputados, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto e o almirante Frank “Mitch” Bradley, que teria ordenado tiros contra os sobreviventes do barco, acusado sem provas por Washington de transportar drogas.
Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), o encontro também envolve “líderes do Congresso, incluindo republicanos e os principais democratas das comissões de Serviços Armados da Câmara e do Senado, e separadamente com o presidente republicano e o vice-presidente democrata da Comissão de Inteligência do Senado”.
A AP relata que “parlamentares exigem um relato completo dos ataques após o The Washington Post noticiar que Bradley ordenou um ataque contra dois sobreviventes para cumprir a diretiva de [Pete] Hegseth [Secretário de Defesa dos EUA] de ‘matar todos’”.
Com base em declarações de duas fontes, sob condição de anonimato, a agência norte-americana também afirmou que o Pentágono sabia da existência dos sobreviventes ao ordenar o segundo ataque. No total, 11 pessoas foram assassinadas na ocasião.
Hegseth nega responsabilidade
O envolvimento de Hegseth no ataque ainda é incerto, de acordo com as fontes da AP. Ao defender-se, o secretário de Defesa dos EUA declarou, na terça-feira (02/12), que o ataque ocorreu na “névoa da guerra”, que não viu nenhum sobrevivente, mas também “não ficou por perto” no restante da ofensiva.
Por outro lado, defendeu Bradley, dizendo que o almirante “tomou a decisão correta” ao ordenar o segundo ataque, para o qual tinha “total autoridade”.

Segundo almirante responsável por ataque, Hegseth teria ordenado “matar todos” em ofensiva no Caribe
U.S. Secretary of War/Flickr
Caso a ordem se confirme, a AP indica que, segundo especialistas jurídicos, “o ataque configura crime se os sobreviventes foram alvos específicos”, além de parlamentares de ambos os partidos exigirem responsabilização.
Na última quarta-feira (03/12), o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o assunto é “extremamente sério” por tratar da segurança das tropas norte-americanas.
“Este é um incidente que pode expor membros de nossas forças armadas a consequências legais. E, no entanto, o público americano e o Congresso ainda não estão sendo informados sobre fatos básicos”, disse Schumer, citado pela AP.
De modo geral, os parlamentares buscam entender quais ordem Hegseth deu em relação às operações e qual foi o motivo do segundo ataque, que matou os sobreviventes.
Os deputados democratas ainda exigem o vídeo completo do ataque realizado em 2 de setembro, além dos “registros escritos das ordens e quaisquer diretrizes de Hegseth”, segundo a AP.
Por outro lado, o senador Roger Wicker, do Partido Republicano, que preside o Comitê de Serviços Armados do Senado garantiu que “a investigação será feita com base em dados concretos”, sem citar diretamente a gravação do ataque. “Vamos descobrir a verdade”, acrescentou.
O próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado na quarta-feira (03/12) se divulgaria o vídeo do ataque. “Seja o que for, certamente divulgaremos. Sem problema”, disse o mandatário.
Enquanto o primeiro ataque promovido pelos EUA contra um barco no Caribe sob a bandeira de combate ao narcotráfico está na mira de investigações, as mais de 20 ofensivas de Washington no Caribe já deixaram mais de 80 mortos.























