México e Rússia defendem soberania venezuelana ante bloqueio naval dos EUA
Mandatária mexicana Claudia Sheinbaum alerta para risco de ‘derramamento de sangue’ e defende diálogo entre os países envolvidos
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, defendeu nesta quarta-feira (17/12) o não intervencionismo em meio à escalada de tensões na Venezuela após os Estados Unidos declararem o governo de Nicolás Maduro como uma “organização terrorista estrangeira”.
“Pela declaração do presidente [dos Estados Unidos Donald] Trump e pela situação na Venezuela, reiteramos a posição do México, de acordo com a Constituição, de não intervenção ou interferência estrangeira, autodeterminação dos povos e solução pacífica de disputas”, disse a mandatária, durante uma coletiva nesta manhã.
Sheinbaum também criticou a omissão da Organização das Nações Unidas (ONU) diante das ameaças de Washington no país caribenho, pressionando para que a organização global assuma o seu devido papel de evitar “qualquer derramamento de sangue”.
“Vamos torcer para que isso [uma invasão] não aconteça. Todos nós devemos observar, o mundo inteiro deve garantir que não haja intervenção, que haja uma solução pacífica para qualquer controvérsia”, enfatizou, reforçando a necessidade da autodeterminação dos povos.
A presidente ainda sustentou que qualquer controvérsia ou disputa internacional deve ser resolvida por meio do diálogo, da paz e do princípio da não intervenção. “É nossa posição, por convicção e pela Constituição. Deve ser a posição de qualquer presidente do México”, disse.
Desde setembro, os Estados Unidos enviaram uma flotilha naval de grande porte para o mar do Caribe, usando o pretexto do suposto combate ao tráfico de drogas. Ao longo das semanas, as forças norte-americanas passaram a atacar embarcações na região, em sua maioria venezuelanas, chegando a matar cerca de 90 pessoas.
Na terça-feira (16/12) à noite, Trump designou o governo de Nicolás Maduro como uma “organização terrorista estrangeira”, informando que Washington cercou “completamente” a Venezuela por mar e que não se retirará até que a nação sul-americana devolva os bens que, segundo ele, “roubou” de Washington.
“A Venezuela está completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul. Isso só vai aumentar, e o choque para eles será algo nunca visto antes, até que devolvam aos Estados Unidos todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram”, escreveu no seu Truth Social.
Posicionamento russo
Por sua vez, a Rússia alertou nesta quarta-feira que o cerco norte-americano contra a Venezuela pode desencadear uma crise com consequências imprevisíveis para todo o Hemisfério Ocidental.
O diretor do Departamento para a América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Shchetinin, fez uma declaração durante um evento realizado em Moscou manifestando sua preocupação com a evolução do cenário no Caribe. O diplomata apelou aos atores envolvidos no conflito para que evitem novas ações que possam intensificar as tensões, alertando que um agravamento da crise poderia trazer consequências imprevisíveis para a estabilidade regional.
“Esperamos que os responsáveis pela atual escalada de tensões na Venezuela consigam evitar um agravamento da situação, que ameaça ter consequências imprevisíveis para todo o Hemisfério Ocidental, e que evitem cometer erros”, afirmou Shchetinin.
Assim, o diplomata russo reafirmou a solidariedade de Moscou com o povo venezuelano e renovou o apoio ao governo de Nicolás Maduro, elogiando sua atuação na defesa da soberania nacional e dos interesses estratégicos do país. Ele também ressaltou a importância histórica de Simón Bolívar e destacou os laços de amizade e cooperação entre Rússia e Venezuela.
Já o presidente venezuelano Nicolás Maduro afirmou que seu país enfrenta a maior ameaça de invasão estrangeira do último século, alegando que essa pressão é motivada pelos interesses dos Estados Unidos nas vastas reservas de petróleo do país.
Além disso, o governo da Venezuela nega as acusações feitas por Washington sobre uma suposta falta de empenho no combate ao narcotráfico, afirmando que organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhecem que o país não é produtor de drogas, não possui altos índices de consumo e tem adotado medidas efetivas contra o tráfico ilícito.

A mandatária mexicana enfatizou que haja uma “solução pacífica para qualquer controvérsia”
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Crítica à ONU
O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, questionou a falta de credibilidade do relatório sobre a Venezuela apresentado pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, na terça-feira. O chanceler acusou o representante de ter preparado “um relatório cheio de falácias que agravam os ataques contra nosso país”, com o objetivo de desestabilizar, isolar a nação bolivariana internacionalmente, para depois atacá-la militarmente.
Gil também alegou que existe hoje “um preocupante distanciamento do sistema da ONU da defesa autêntica dos direitos humanos”, questionando o compromisso do órgão com a justiça e a igualdade no contexto global.
O ministro também defendeu que se trata de um dever moral rejeitar firmemente a conduta do alto comissário contra Caracas, que não tem se posicionado sobre o recente sequestro reconhecido pelos Estados Unidos a um navio petroleiro. Gil denunciou um duplo padrão alinhado com os interesses das potências, colocando em risco os princípios estabelecidos na Carta da ONU.
























