Movimento popular pede que Panamá não seja ‘rampa para agressões’ dos EUA na América Latina
Frente Nacional para defesa econômica e social panamenha disse que ofensivas podem desencadear ‘violência em larga escala’ e exigiu fim de acordo militar com Washington
A Frente Nacional para a Defesa dos Direitos Econômicos e Sociais do Panamá (Frenadeso) alertou que a escalada militar dos Estados Unidos no Caribe pode desencadear um ataque em larga escala contra a Venezuela, a Colômbia, o México e outros países da região.
Em carta enviada ao Ministério das Relações Exteriores do Panamá, a Frenadeso ressaltou que pelo menos 80 pessoas foram executadas extrajudicialmente por forças norte-americanas sob o pretexto de combate ao narcotráfico.
Segundo a organização, os ataques dos EUA contra embarcações civis são crimes contra a humanidade que violam o Direito Internacional, os direitos humanos e as convenções internacionais sobre a coexistência pacífica entre as nações.
O comunicado também afirma que o “Cartel de los Sóis”, organização de narcotráfico que Washington diz, sem provas, ser liderada pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, é “fictício” e usado para “justificar a agressão”.
Segundo a Frenadeso, essa “é uma manobra recorrente nas administrações dos EUA desde 1990” e agora usada pelo presidente dos Estado Unidos, Donald Trump, para denunciar a Venezuela como um “narcoestado” mesmo que a Organização das Nações Unidas (ONU) “tenha declarado que esse país não tem um papel relevante no tráfico internacional de drogas”.
A Frente declarou que a suposta luta contra o narcotráfico no Caribe é mais uma mentira usada pelos EUA, como ocorrido no Iraque, Síria, Líbia e em outros países para justificar invasões, como a que ocorreu no Panamá em 20 de dezembro de 1989.
A organização ainda lembrou que, como membro da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), o Panamá assinou a Declaração de Havana de 2012, que proclamou a América Latina e o Caribe como Zona de Paz. Portanto, “o governo panamenho deve agir em conformidade”.

Frenadeso ressaltou que pelo menos 80 pessoas foram executadas extrajudicialmente por forças norte-americanas
Alyssa Joy/Marinha dos EUA
O apelo da Frenadeso ocorre em um momento em que o atual governo panamenho, presidido por José Raúl Mulino, “tem colaborado com os planos belicistas dos EUA na região”. “Apenas alguns dias após a posse do republicano, Marco Rubio foi recebido no Panamá, na sequência das ameaças de Trump de tomar o Canal”.
A organização faz referência às ameaças dos EUA em retomar o controle do Canal do Panamá. De acordo com o chefe da Casa Branca, o governo panamenho teria violado um acordo ao permitir mais influência de chineses no canal.
A organização também lembrou que as autoridades panamenhas receberam oficiais militares norte-americanos de alta patente, o que incluiu a assinatura de um tratado militar que não passou pela Assembleia Nacional e não foi submetido à aprovação popular em consulta pública.
A Frenadeso se refere ao Memorando de Entendimento que poderia permitir a presença permanente de tropas norte-americanas em território panamenho, o controle do Canal e a instalação de pelo menos três bases militares.
Tal “acordo militar com os EUA constitui uma zombaria e uma falta de respeito ao povo panamenho, que derramou seu sangue em defesa da soberania nacional”.
Por fim, enfatizou que “a melhor e maior proteção para o Canal é a sua neutralidade, que é perdida quando o Governo panamenho se mostra disposto a permitir a utilização do território do país centro-americano como rampa de acesso para agressões contra nações irmãs”.
Diante dessa situação, a Frenadeso exige a anulação do acordo militar com os Estados Unidos e a suspensão dos exercícios militares conjuntos, que devem começar nesta sexta-feira (28/11).
(*) Com Brasil247 e TeleSUR























