MST exige liberdade de Nicolás Maduro durante 14ª reunião nacional em Salvador
Encontro no marco do 42º aniversário do movimento abordou atual conjuntura política e desafios internacionais, incluindo guerras imperialistas, genocídios e colapso ambiental
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) inaugurou sua 14ª Reunião Nacional nesta segunda-feira (19/01) em Salvador da Bahia, com a participação de mais de 3 mil ativistas de todas as regiões do Brasil, no marco do 42º aniversário da organização. A reunião constitui um momento de alinhamento político diante da situação nacional e internacional, com debates sobre a Reforma Agrária Popular, a luta socialista e a resistência contra o agronegócio e o capitalismo verde.
Em sua abertura, o MST exigiu a libertação imediata do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, sequestrados pelos Estados Unidos durante a invasão da Venezuela, em 3 de janeiro. O slogan “Liberdade para Maduro e Cilia Flores” marcou o início do evento, reafirmando a solidariedade internacionalista do movimento camponês brasileiro.
Em apoio aos venezuelanos, um ato de solidariedade ao país vizinho está programa para quinta-feira (22/01), por volta das 15h, no Pelourinho.
Realizada 17 anos após a última edição, a liderança nacional do MST, Eliane Oliveira, enfatizou que o evento também é um equilíbrio de mais de quatro décadas de luta e resistência, que permitiram o assentamento de mais de 450 mil famílias e a esperança de outras 100 mil famílias acampadas.
O programa inclui sessões plenárias, ciclos de debates, apresentações culturais e um dia internacionalista, além de um evento político na sexta-feira (23/01) com a presença de autoridades, parlamentares, intelectuais e representantes da embaixada venezuelana. Nessa agenda, é esperado a participação do presidente Lula no ato em defesa da reforma agrária, às 15h.
“O momento será de estudo e celebração, mas também de equilíbrio de mais de 40 anos de luta, resistência, coragem e mudança de vida”, disse Oliveira.
Desde o Congresso Nacional de 2014, o MST aprofundou o conceito de Reforma Agrária Popular, reorganizando suas estruturas e propostas para enfrentar a hegemonia do agronegócio, da mineração e das novas formas de exploração do capital.
A reunião também aborda desafios internacionais, incluindo a crise estrutural do capitalismo, guerras, genocídios e colapso ambiental, reafirmando a necessidade de um Projeto Popular para o Brasil e solidariedade com os povos atacados pelo imperialismo.
Diante da atual conjuntura política e internacional, “reunir toda essa militância demonstra a força acumulada ao longo da nossa história, mas também evidencia os desafios que temos pela frente”, disse Evanildo Costa, da direção nacional do MST na Bahia.

Mística de abertura traz a organização popular no enfrentamento ao imperialismo
MST/Wellington Lenon
‘O renascimento do fascismo é produto da crise imperialista’
Dedicada ao debate sobre geopolítica e conjuntura internacional, a mesa de abertura contou com a participação do fundador de Opera Mundi, o jornalista Breno Altman, e a militante da Articulação Internacional dos Povos, Stephanie Weatherbee.
“O mundo vive uma contradição que marcará os próximos anos: entre uma ordem unipolar moribunda, liderada pelos Estados Unidos, e a ascensão de uma ordem multipolar ainda em formação, impulsionada principalmente pelo crescimento econômico da China e pelo fortalecimento do Estado nacional russo”, afirmou Altman.
Segundo o jornalista, a crise dos Estados Unidos torna o imperialismo “mais violento”.
“O renascimento de movimentos fascistas nos países imperialistas é produto dessa crise”, avaliou. “Os Estados Unidos decidiram retomar o controle da região na ponta do fuzil”, em referência a, principalmente, as ameaças intervencionistas na América Latina.
Por sua vez, Weatherbee destacou que “como os Estados Unidos são um parceiro econômico central para muitos países latino-americanos, conseguem manipular essa relação”.
“Os EUA alimentam na América Latina uma extrema direita e uma burguesia que colocam seus interesses acima de qualquer projeto de desenvolvimento nacional”, acrescentou a militante, alertando para o papel de setores progressistas que, ao adotarem posturas moderadas ou críticas a processos revolucionários, acabam legitimando narrativas imperialistas.
(*) Com Telesur




















