Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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Ao falar em “violação flagrante” da Carta das Nações Unidas (ONU) e do direito internacional, o representante do Brasil nas Nações Unidas, Sérgio Danese, rechaçou de forma “categórica e firme” a intervenção armada na Venezuela. A posição se deu nesta segunda-feira (05/01), no âmbito da sessão emergencial do Conselho de Segurança da ONU, presidida pela Somália.

O embaixador não citou os Estados Unidos nem o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores em seu discurso. Porém, rejeitou a “criação de protetorados” para uma possível “solução da situação” do país sul-americano. 

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“O Brasil não acredita que a solução da situação da Venezuela passe pela criação de protetorados no país, mas por soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano no marco da sua Constituição”, expressou, alertando que o ataque ocorrido em 3 de janeiro têm implicações regionais. “Um ataque contra a soberania de qualquer país, independentemente da orientação de seu governo, afeta toda a comunidade internacional”.

Em seu discurso, o representante brasileiro levantou preocupações de que a impunidade às ações ilegais como as ocorridas recentemente corroam o multilateralismo e fomentem uma desordem global, em um cenário em que “os efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança e cooperação internacionais já são evidentes”.

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“Como o Brasil tem afirmado repetidamente, as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais. Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos, econômicos ou de qualquer outra natureza. Não permitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifique o uso da força ou a derrubada ilegal de um governo”, destacou.

Embaixador Sérgio Danese, representante brasileiro na ONU, rechaça ataque militar na Venezuela
Reprodução/Print de transmissão

A posição brasileira é de que as “esferas de influência” abrem possibilidade de “conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto”, podendo desconsiderar a soberania nacional e impor decisões a outros Estados “mais fracos”.

“O uso da força em nossa região reabre capítulos da história que pensávamos estarem no passado e põe em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, respeitosa do direito internacional e do princípio da não intervenção. Intervenções armadas passadas tiveram consequências profundamente negativas e duradouras”, sustentou.

Danese também exigiu que o Conselho da ONU assuma a sua responsabilidade e aja em consonância ao direito internacional “a fim de impedir que o direito da força prevaleça sobre o Estado de Direito”.

“O Brasil confia que o futuro da Venezuela será construído pelo povo venezuelano por meio do diálogo, livre de interferências externas e dentro dos limites do direito internacional”, defendeu.