Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, destacou a “soberania permanente” da Venezuela sobre seus recursos naturais e que o petróleo do país sul-americano pertence ao povo venezuelano.

A declaração de Guterres ocorreu durante uma reunião com o representante permanente da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, que aproveitou o encontro para denunciar a “agressão armada unilateral e injustificada” dos Estados Unidos contra seu país, perpetrada na madrugada do último sábado (03/01), segundo comunicado divulgado pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil.

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A declaração do chefe da ONU surgiu após a confirmação do interesse de Washington no petróleo bruto venezuelano, tanto antes quanto depois do ataque dos EUA.

Três dias após o ataque que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, o representante dos EUA, Donald Trump, garantiu que “as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo licenciado de alta qualidade aos EUA”.

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Ele também garantiu que sua administração ficaria encarregada de controlar o dinheiro obtido com a venda de petróleo bruto venezuelano.

Por sua vez, a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) anunciou na quarta-feira (07/01) que está em “negociação” com os EUA para a venda de “volumes de petróleo bruto”; e que o processo está sendo realizado “no âmbito das relações comerciais existentes entre os dois países”.

Violação flagrante

Durante o encontro com o representante da Venezuela na ONU, Guterres afirmou que a incursão militar dos EUA no país sul-americano representa “uma violação flagrante da Carta da ONU e das normas do direito internacional”.

Ele também afirmou que a agressão cria “um precedente perigoso para as relações internacionais” e expressou suas “preocupações” sobre as repercussões que esse ataque teria na América Latina e no Caribe, proclamados como Zona de Paz.

António Guterres prometeu considerar o convite feito pelo governo venezuelano para visitar o país e ofereceu seus “bons ofícios” para facilitar um diálogo nacional.

Nas primeiras horas da manhã de sábado (03/01) os EUA lançaram um ataque em território venezuelano. A operação militar terminou com o sequestro de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, que foram levados para Nova York.

Caracas descreveu as ações de Washington como uma “agressão militar muito grave” e alertou que o objetivo dos ataques “não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país”.