Petro afirma que EUA precisam 'refazer pacto de convivência' com América Latina
Líder colombiano defendeu Venezuela e acusou ignorância de Washington sobre leis latino-americanas; 'a nação detém a propriedade do subsolo por mandato constitucional'
O presidente colombiano, Gustavo Petro, enviou uma mensagem contundente ao governo dos Estados Unidos e à região da América Latina, ressaltando a necessidade de reconstruir uma estrutura de coexistência baseada no respeito mútuo e na soberania dos povos.
A declaração, feita através da conta do presidente colombiano nas redes sociais, surge em meio à crescente tensão entre a América Latina e Washington após o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA em janeiro de 2025.
Petro enfatizou que “os EUA e a América Latina devem refazer seu pacto de coexistência com base na soberania e na autodeterminação dos povos”, uma declaração que busca se distanciar das políticas de interferência que historicamente caracterizaram a relação de Washington com a região.
O líder da Casa de Nariño insistiu que o respeito pelas leis nacionais é fundamental para garantir uma relação equilibrada e justa.
Trump está à espreita
A declaração surgiu depois de Trump acusar a Venezuela de ter “roubado” direitos petrolíferos de empresas norte-americanas, exigindo a sua devolução e revelando as suas verdadeiras intenções após fazer uma série de acusações falsas contra o governo venezuelano.
Em relação a esse caso, Petro respondeu explicando as diferenças legais entre os dois sistemas: enquanto nos Estados Unidos o proprietário da terra também é dono do subsolo, na América Latina as diversas constituições estabelecem que o subsolo pertence à nação. “Basear-se em medidas soberanas relativas à propriedade da nação não é roubo”, enfatizou, observando que esse é um princípio apoiado eleitoralmente pelos povos da América Latina.
En EEUU el propietario del subsuelo es el propietario del suelo
En América Latina el propietario del subsuelo es la Nación por orden Constitucional. Así también es en Colombia
Sustentar medidas soberanas sobre la propiedad de la Nación no es robo.
Aquí lo que surge es una… https://t.co/G12wmlZ6Mm
— Gustavo Petro (@petrogustavo) December 18, 2025
Com esse esclarecimento, Petro não apenas defendeu a soberania venezuelana, mas também a da Colômbia e do resto da região, lembrando a todos que as leis nacionais devem ser respeitadas e não podem ser submetidas a imposições externas.
O presidente colombiano denunciou a “total falta de compreensão” de Washington em relação às realidades jurídicas e políticas da América Latina, o que gera atritos desnecessários e aprofunda a desconfiança.
Num gesto político de abertura, Petro convidou a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, a visitar a Colômbia para discutir a paz e o futuro do Caribe.
“Ele podia subir ao palco e dançar um bom vallenato ou uma cumbia, e falar comigo sobre a paz no Caribe, e não sobre invasões”, disse ele, apelando para a cultura como uma ponte para o encontro e para a memória de Simón Bolívar como um símbolo de unidade regional.
O presidente de Nova Granada lembrou que Bolívar, no dia de sua morte, pediu paz e unidade para a “Grande Pátria”, rejeitando qualquer forma de invasão ou subjugação das nações que ele libertou com sua espada.
Bogotá também se mantém firme contra Washington
As tensões entre Washington e Bogotá se intensificaram nos últimos meses. O governo colombiano criticou as políticas de imigração de Trump, bem como sua abordagem à guerra contra as drogas e sua intervenção em assuntos caribenhos .
Petro é uma força motriz e defende que a região precisa de soluções próprias, construídas a partir da soberania e da cooperação, em vez de imposições externas que reproduzem esquemas de dependência, pobreza e subjugação.
O discurso do presidente colombiano faz parte de uma tradição latino-americanista que busca reviver a ideia de integração regional como resposta a desafios comuns.
A proposta de renegociar o pacto de coexistência com os Estados Unidos não implica uma rejeição absoluta, mas sim a exigência de uma relação baseada no respeito mútuo.
Petro argumenta que a cooperação deve ser construída sobre o fundamento da autodeterminação, reconhecendo as diferenças jurídicas e políticas que caracterizam cada nação. Nesse sentido, seu apelo é também um convite a Washington para que abandone suas práticas de interferência e aceite que a América Latina tem o direito de decidir seu próprio destino.
























