Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O presidente colombiano, Gustavo Petro, enviou uma mensagem contundente ao governo dos Estados Unidos e à região da América Latina, ressaltando a necessidade de reconstruir uma estrutura de coexistência baseada no respeito mútuo e na soberania dos povos.

A declaração, feita através da conta do presidente colombiano nas redes sociais, surge em meio à crescente tensão entre a América Latina e Washington após o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA em janeiro de 2025.

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Petro enfatizou que “os EUA e a América Latina devem refazer seu pacto de coexistência com base na soberania e na autodeterminação dos povos”, uma declaração que busca se distanciar das políticas de interferência que historicamente caracterizaram a relação de Washington com a região.

O líder da Casa de Nariño insistiu que o respeito pelas leis nacionais é fundamental para garantir uma relação equilibrada e justa.

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A declaração surgiu depois de Trump acusar a Venezuela de ter “roubado” direitos petrolíferos de empresas norte-americanas, exigindo a sua devolução e revelando as suas verdadeiras intenções após fazer uma série de acusações falsas contra o governo venezuelano.

Em relação a esse caso, Petro respondeu explicando as diferenças legais entre os dois sistemas: enquanto nos Estados Unidos o proprietário da terra também é dono do subsolo, na América Latina as diversas constituições estabelecem que o subsolo pertence à nação. “Basear-se em medidas soberanas relativas à propriedade da nação não é roubo”, enfatizou, observando que esse é um princípio apoiado eleitoralmente pelos povos da América Latina.

Com esse esclarecimento, Petro não apenas defendeu a soberania venezuelana, mas também a da Colômbia e do resto da região, lembrando a todos que as leis nacionais devem ser respeitadas e não podem ser submetidas a imposições externas.

O presidente colombiano denunciou a “total falta de compreensão” de Washington em relação às realidades jurídicas e políticas da América Latina, o que gera atritos desnecessários e aprofunda a desconfiança.

Num gesto político de abertura, Petro convidou a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, a visitar a Colômbia para discutir a paz e o futuro do Caribe.

“Ele podia subir ao palco e dançar um bom vallenato ou uma cumbia, e falar comigo sobre a paz no Caribe, e não sobre invasões”, disse ele, apelando para a cultura como uma ponte para o encontro e para a memória de Simón Bolívar como um símbolo de unidade regional.

O presidente de Nova Granada lembrou que Bolívar, no dia de sua morte, pediu paz e unidade para a “Grande Pátria”, rejeitando qualquer forma de invasão ou subjugação das nações que ele libertou com sua espada.

Bogotá também se mantém firme contra Washington

As tensões entre Washington e Bogotá se intensificaram nos últimos meses. O governo colombiano criticou as políticas de imigração de Trump, bem como sua abordagem à guerra contra as drogas e sua intervenção em assuntos caribenhos .

Petro é uma força motriz e defende que a região precisa de soluções próprias, construídas a partir da soberania e da cooperação, em vez de imposições externas que reproduzem esquemas de dependência, pobreza e subjugação.

O discurso do presidente colombiano faz parte de uma tradição latino-americanista que busca reviver a ideia de integração regional como resposta a desafios comuns.

A proposta de renegociar o pacto de coexistência com os Estados Unidos não implica uma rejeição absoluta, mas sim a exigência de uma relação baseada no respeito mútuo.

Petro argumenta que a cooperação deve ser construída sobre o fundamento da autodeterminação, reconhecendo as diferenças jurídicas e políticas que caracterizam cada nação. Nesse sentido, seu apelo é também um convite a Washington para que abandone suas práticas de interferência e aceite que a América Latina tem o direito de decidir seu próprio destino.