Petro critica Trump por fechamento do espaço aéreo da Venezuela: 'arrogância ilegal'
Caracas mantém operações em seus principais aeroportos e nega suposto encerramento de voos, alegado pelo presidente dos EUA nas redes sociais
O presidente da Colômbia e pro tempore da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Gustavo Petro, denunciou neste domingo (30/12) a medida anunciada por seu homólogo norte-americano, Donald Trump, sobre o fechamento do espaço aéreo venezuelano, classificando-a como “um ato injustificado de arrogância contra a soberania e a autodeterminação de um país da região”.
O líder sul-americano declarou no X que essa decisão é completamente ilegal e exige uma reunião imediata da Assembleia da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) devido à natureza agressiva e colonial dessa ameaça imperialista.
Petro também enfatizou que não há autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas para justificar ações militares desse tipo contra um país vizinho como a Venezuela. Ele também relembra que o Senado dos EUA não aprovou uma intervenção armada.
“A ordem internacional deve ser preservada, e a América Latina e o Caribe devem afirmar isso sem medo. A Venezuela precisa de mais democracia, e a democracia é produto apenas de suas forças internas e de seu povo”, acrescenta o pronunciamento do presidente colombiano.
O líder também insistiu que nenhuma companhia aérea deveria aceitar ordens ilegais relativas ao espaço aéreo de qualquer país e exigiu que o Presidente Trump cesse suas violações da ordem jurídica internacional.
El cierre del espacio aéreo de Venezuela es completamente ilegal. La OACI debe reunirse de inmediato.
El secretario general de la OACI debe convocar de inmediato la Asamblea
No hay autorización del consejo de seguridad de la ONU para acciones militares sobre nuestro vecino.
El…
— Gustavo Petro (@petrogustavo) November 30, 2025
Da mesma forma, o congressista argentino Jorge Taiana endossou a mensagem de Petro no X. Ele afirmou ainda que “é vergonhoso o silêncio, a passividade ou o apoio declarado da maioria das autoridades da região a decisões unilaterais que, sem qualquer fundamento jurídico, violam o direito internacional, desrespeitam a soberania dos Estados e suscitam silêncio nas organizações multilaterais relevantes”.
Desde agosto, os Estados Unidos mobilizaram navios de guerra, submarinos, aeronaves militares e tropas na costa venezuelana, posicionando aproximadamente um terço de sua frota naval. As operações militares da Casa Branca contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas na região resultaram em mais de 84 mortes.
A ameaça de fechar o espaço aéreo venezuelano é a mais recente escalada em uma campanha imperialista que Washington justifica como uma “luta contra o narcotráfico”, mesmo sem provas.
Venezuela mantém operações em seus principais aeroportos
No sábado (29/11) o presidente Donald Trump publicou em sua rede social, Truth, sobre um suposto fechamento do espaço aéreo venezuelano. No entanto, a Venezuela negou a narrativa e mantém as operações plenas em todos os seus principais aeroportos, apesar de todas as ameaças do governo dos EUA , demonstrando sua determinação em não ceder a interferências ou pressões.
O principal aeroporto do país, o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, localizado em Maiquetía (estado de La Guaira), e o Aeroporto La Chinita, em Maracaibo, operaram normalmente no sábado, desmentindo a falsa narrativa do chefe da Casa Branca, segundo o site venezuelano Telesur.
No oeste do país, o Aeroporto Internacional La Chinita, localizado em Maracaibo (estado de Zulia, na fronteira com a Colômbia), também registrou operações aéreas sem problemas no dia 29 de novembro.
Os horários das companhias aéreas autorizadas a operar no país confirmam o funcionamento regular dos dois terminais aeroportuários venezuelanos, comprovando que eles permanecem ativos apesar das recentes ações unilaterais ilegais do governo dos EUA.
Apenas algumas horas antes, Trump declarou que o espaço aéreo sobre a Venezuela e seus arredores deveria ser considerado “completamente fechado” para “companhias aéreas, narcotraficantes e traficantes de pessoas “. Além disso, o governo atual suspendeu unilateral e injustificadamente os voos de repatriação para venezuelanos previstos no Plano Vuelta a la Patria (Plano de Retorno à Pátria).























