Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Em meio à escalada retórica de Washington contra Bogotá, Gustavo Petro e Donald Trump mantiveram uma conversa por telefone nesta quarta-feira (07/01).

Em uma publicação nas redes sociais, Trump disse que foi uma “honra” conversar com o mandatário colombiano. O estadunidense afirmou também que a iniciativa da ligação partiu de Petro que desejava “explicar a situação das drogas e outras divergências que tivemos”.

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Trump afirmou, ainda, que espera se reunir com Petro “em um futuro próximo”. As tratativas do encontro, segundo Trump, estão à cargo do secretário de Estado, Marco Rubio.

O tensionamento entre os dois países não é uma novidade, mas escalou desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos e os bombardeios realizados em Caracas, no sábado (3), quando Petro saiu em defesa da Venezuela.

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No dia seguinte ao ataque, Trump disse que não descartava realizar uma ação nos mesmo moldes contra a Colômbia. “Me soa bem”, afirmou, ao ser perguntado por jornalistas sobre a possibilidade. Na ocasião, ele também atacou diretamente o presidente Petro. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos.”

Depois da conversa com Trump nesta quarta-feira, Petro discursou a apoiadores que se reuniram em Bogotá. Ele disse que Trump “não é bobo”, mas que foi enganado. “Enganaram Trump e, por isso, ele saiu dizendo algo que é absurdo para qualquer cidadão: que Petro é o chefe do narcotráfico.”

Sem entrar em detalhes, Petro afirmou que a situação da Venezuela também foi tema da conversa entre os mandatários.

Mobilização na fronteira

Convocados pelo governo Gustavo Petro, centenas de manifestantes se reuniram em Cúcuta, cidade que faz fronteira com a Venezuela, para um ato que pedia respeito à soberania do país latino-americano.

Ainda que houvesse algumas bandeiras venezuelanas em Cúcuta, a manifestante Carmen Gutierrez afirmou ao Brasil de Fato que o ato era, em primeiro lugar, uma ação para reafirmar a soberania colombiana. “Nós nos sentimos ameaçados. Trump, em diversas ocasiões, manifestou seu desejo de interferir no nosso país”.

Ainda assim, Gutierrez diz que também estava demonstrando sua solidariedade ao país vizinho. Ela acredita que os ataques lançados contra Caracas representam um risco para todo o continente. “Como irmãos, isso nos preocupa, porque as intenções de Trump não são claras ao violar a soberania da Venezuela.”

O físico Juan Eduardo demonstrava algum incômodo com seus compatriotas que vestiam a bandeira venezuelana. “Queremos que a soberania da América Latina e de todos os países do mundo seja respeitada, mas isso não pode ser confundido com um ato de manifestação em defesa do governo de Nicolás Maduro”, disse.

Mesmo crítico ao governo Maduro, ele entende que os ataques contra a Venezuela são inaceitáveis. “Pode-se criticar o governo, mas não se pode violar a soberania nacional”, diz.

Ele alerta, ainda, que a Colômbia também corre perigo real, após os bombardeios contra o território venezuelano. “Não se pode esquecer as declarações de Trump sobre intervir na Colômbia. Não são declarações isoladas. Agora houve uma ação direta. Não são apenas palavras.”