‘Petróleo é ponto central de pressão dos EUA contra Venezuela’, afirma Petro
À CNN, presidente da Colômbia disse que Trump não pensa na ‘democracia e muito menos no narcotráfico’; após alerta de Washington, companhias aéreas dizem operar normalmente na região
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, alertou nesta terça-feira (25/11) que a pressão dos Estados Unidos contra a Venezuela está relacionada às reservas de petróleo do país sul-americano.
“O petróleo é o ponto central da questão”, disse Petro em entrevista exclusiva à CNN, rejeitando as alegações do governo Donald Trump em combater o narcotráfico.
“Então, essa é uma negociação sobre petróleo. Acredito que essa seja a lógica de Trump. Ele não está pensando na democratização da Venezuela, muito menos no narcotráfico”, declarou.
Sobre as acusações, sem provas, do governo norte-americano sobre Petro desempenhar um “papel no comércio ilícito global de drogas”, o presidente afirmou à CNN que seu governo “apreendeu mais cocaína do que qualquer outro na história”.
“Tanto que, nos últimos anos, consegui garantir que o crescimento das plantações, que está estagnado, seja amplamente superado pelo crescimento das apreensões”, disse.
Na análise do líder colombiano, Trump não reconhece os esforços de seu governo contra o tráfico de drogas “por orgulho”. “Ele pensa que sou um bandido subversivo, um terrorista e coisas do tipo, simplesmente porque fui membro do M-19” — movimento guerrilheiro colombiano que atuou entre 1970 e 1980.
Companhias aéreas operam normalmente na Venezuela
As principais empresas aéreas que operam na Venezuela decidiram suspender voos de chegada e partida após um alerta emitido no sábado (22/11) pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA).
No comunicado, a FAA orientou operadores a “exercer cautela” em todas as altitudes devido ao “agravamento da situação de segurança e à intensificação da atividade militar em torno da Venezuela”.
Entre as empresas que interromperam temporariamente suas operações estão Avianca, Tap, Lan Airlines, Gol Linhas Aéreas Inteligentes e Caribbean Airlines.
O alerta ocorreu em meio à crescente preocupação internacional com uma possível escalada militar na região. Os Estados Unidos já realizaram ataques contra embarcações acusadas de tráfico de drogas no Caribe e enviaram o porta-aviões USS Gerald R. Ford — o maior do mundo — para áreas próximas à costa venezuelana.

Para Petro, Trump não reconhece esforços de seu governo contra tráfico de drogas “por orgulho”
Presidencia Colombia
Após o comunicado, autoridades aeronáuticas e representantes de companhias aéreas nacionais e internacionais que operam na Venezuela realizaram uma reunião na segunda-feira (24/11) para coordenar ações que garantam a continuidade e a normalidade do transporte aéreo.
O Ministério dos Transportes indicou em um comunicado que a reunião foi realizada na sede do Instituto Nacional de Aeronáutica Civil e foi presidida pelo chefe da filial venezuelana, Ramón Velásquez.
O documento especificou que a mensagem central da reunião foi garantir a confiança e a segurança das operações dos prestadores de serviços aéreos aos passageiros, após a notificação FAA.
Segundo a Prensa Latina, após a reunião, o Ministério dos Transportes da Venezuela estabeleceu um prazo de 48 horas, que devem se encerrar nesta quarta-feira (26/11), para que as companhias aéreas retomem suas atividades no país.
Em resposta, Orlan Viloria, presidente da companhia aérea venezuelana Laser Airlines afirmou querer “transmitir confiança” e por isso “tudo está funcionando normalmente”. O executivo também anunciou que a empresa retomará seus voos normais para Bogotá, Curaçao e Madri na próxima quinta-feira (27/11).
Boris Serrano, presidente da Estelar Latinoamérica CA, também afirmou que os voos continuam sem problemas e informou que o voo programado para o Panamá partiria na terça-feira (25/11), enquanto a partida para Madri será remarcada em breve.
Representantes da LATAM Airlines e da TAP Air Portugal também reafirmaram seus compromissos com Caracas. O representante da empresa portuguesa, Miguel Araújo, reiterou a “intenção de continuar confiando e apoiando a Venezuela em suas operações”.
Da mesma forma, Pedro Navarro, da Turpial Airlines, afirmou que a reunião gerou muita esperança e garantiu que “a intenção é continuar oferecendo um serviço seguro, pontual e eficiente a todos os venezuelanos e estrangeiros”.
No último domingo (23/11), o Consórcio Venezuelano de Indústrias Aeronáuticas e Serviços Aéreos S.A. (Conviasa) informou que mantém todos os seus voos nacionais e internacionais em operação.
A organização enfatizou que, como a principal companhia aérea da Venezuela, a prioridade é “garantir a segurança e o conforto da sua viagem, com a comodidade que caracteriza o nosso serviço para sua tranquilidade”.
Mensagens semelhantes foram publicadas pelas companhias aéreas nacionais Estelar Latinoamérica CA, Avior Airlines, Rutaca Airlines e Turpial Airlines.
(*) Com Brasil247 e Prensa Latina























