PT repudia escalada dos EUA contra Venezuela e pede diálogo
Partido alerta para 'possibilidade de operações militares unilaterais em território venezuelano, em violação do direito internacional e do princípio da soberania dos Estados'
O Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil expressou, nesta segunda-feira (01/12), profunda preocupação com o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela, que desde setembro têm sido marcadas por medidas unilaterais e ações beligerantes que ameaçam a estabilidade regional.
O partido enfatizou que a América Latina deve permanecer uma “zona de paz e cooperação” e, nesse sentido, pediu um “diálogo entre os presidentes dos Estados Unidos e da Venezuela” com o objetivo de alcançar “uma resolução pacífica dos conflitos”.
O PT alertou para a “possibilidade de operações militares unilaterais em território venezuelano, em violação do direito internacional e do princípio da soberania dos Estados”, após as recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, nas quais afirmou que fecharia o espaço aéreo do país sul-americano para companhias aéreas, pilotos e quaisquer aeronaves, e após a ligação entre o presidente venezuelano e o chamado “Cartel dos Sóis”, “sem que qualquer prova tenha sido apresentada à comunidade internacional” sob o argumento do combate ao “narcoterrorismo”, enfatizou.
Ele também enfatizou a importância de manter e fortalecer os canais diplomáticos de diálogo entre os governos de Caracas e Washington. “O Partido dos Trabalhadores defende que qualquer iniciativa que aumente o risco de conflito armado na região deve ser imediatamente substituída por esforços em prol do entendimento político, do diálogo diplomático e da cooperação internacional”.
“Os princípios da política externa do PT são a soberania dos povos, a resolução pacífica de disputas e o respeito pelo direito internacional como caminhos essenciais para a preservação da paz no continente”, afirmou a coalizão.

O Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil rejeita a escalada das tensões entre Caracas e Washington
NicolasMaduroMoros / Telegram
O presidente dos EUA intensifica a pressão sobre a Venezuela enquanto instala um radar de vigilância em Trinidad e Tobago, a poucos quilômetros do território venezuelano.
Trump instou todas as companhias aéreas a considerarem o espaço aéreo venezuelano “completamente fechado”, supostamente visando companhias aéreas, narcotraficantes e traficantes de pessoas, de acordo com uma publicação em sua plataforma de mídia social, Truth Social. A declaração surge em um momento em que Washington reforça seu destacamento militar no Caribe, sob o pretexto de combater o narcotráfico e supostas ameaças à segurança regional.
Caracas, no entanto, sustenta que o narcotráfico serve de pretexto para ocultar o verdadeiro objetivo: forçar uma mudança de governo na Venezuela e garantir o controle de suas vastas reservas de petróleo. Essa perspectiva reforça o que o país sul-americano considera uma política sistemática de interferência de Washington.
Radar dos EUA em Trinidad e Tobago
Entretanto, o governo de Trinidad e Tobago autorizou a instalação de um radar militar dos EUA na ilha de Tobago, localizada a poucos quilômetros da costa venezuelana. Embora a medida tenha sido apresentada como parte de um plano de vigilância do narcotráfico, ela gerou preocupação regional devido à sua proximidade estratégica com o território venezuelano.
Testemunhas locais relataram a presença contínua de fuzileiros navais dos EUA em hotéis em Tobago, enquanto sistemas de rastreamento aéreo confirmaram o pouso de aeronaves militares e a realização de exercícios conjuntos com a Força de Defesa de Trinidad e Tobago.
Este radar permitirá o monitoramento constante das atividades dentro e fora do espaço aéreo venezuelano. Embora a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Persad-Bissessar, tenha assegurado que seu país não serviria de “base para qualquer guerra contra a Venezuela”, a localização estratégica do dispositivo sugere uma campanha de pressão direta contra Caracas.
Essa decisão provocou uma forte reação da oposição trinitária. O líder do bloco parlamentar, Marvin Gonzales, exigiu explicações da primeira-ministra sobre a instalação do radar, afirmando que ela havia se provado uma “mentirosa patológica”. Essa acusação evidencia a falta de transparência e o descontentamento em torno de uma medida que compromete a soberania e ameaça a América Latina e o Caribe como Zona de Paz.
A Bloomberg já havia relatado uma “parede invisível de ruído eletromagnético” que se estendia sobre o Caribe, com dados mostrando um aumento nas perturbações eletrônicas semanas antes, coincidindo com uma maior presença naval dos EUA ordenada pelo presidente Trump, o que complicou ainda mais o cenário regional.























