Resistência contra ameaça de guerra na Venezuela cresce nos EUA
Enquanto congressistas investigam duplo ataque contra embarcação, organizações sociais realizam dia nacional de ação em defesa do país caribenho neste sábado (06)
O governo dos Estados Unidos permanece acelerando a busca pela guerra com a Venezuela. Enquanto circulam rumores sobre ligações telefônicas e possíveis conversas entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder venezuelano Nicolás Maduro; o chefe de Estado dos EUA continua lançando ameaças e acusações bizarras e ilegais contra a nação sul-americana.
No sábado (29/11), Trump declarou unilateralmente que o espaço aéreo venezuelano estava fechado, apesar do direito internacional estipular que apenas a Venezuela tem autoridade sobre o espaço acima de seu território; e que o tráfego continua desde então.
Trump, seu secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmaram que ataques terrestres e “ações” contra a Venezuela poderiam começar em breve e que o país deveria estar em alerta. Até o momento, continuam os ataques aéreos a embarcações no Caribe, que já levaram à morte de pelo menos 83 pessoas. Sem apresentar provas, Washington alega que as vítimas traficavam drogas.
O aumento da presença militar norte-americana, sem precedentes na região, consiste no porta-aviões USS Gerald R. Ford (CVN-78), caças F-35, pelo menos oito navios de guerra e 15.000 soldados americanos. As atividades militares norte-americanas são coordenadas em Porto Rico, Trinidad e Tobago e República Dominicana.
Apesar do apetite descarado de Trump pela guerra, parece que a opinião pública nos Estados Unidos é contra a escalada de Trump contra a Venezuela. Pesquisa recente realizada pela CBS News/YouGOV revelou que 70% das pessoas nos EUA se oporiam à ação militar dos EUA na Venezuela.
Ao mesmo tempo, algumas iniciativas bipartidárias, embora limitadas, foram tomadas para usar a autoridade do Congresso, impedindo que Trump tome uma ação militar. Do legislativo até os movimentos de base, a oposição a uma guerra dos Estados Unidos contra a nação caribenha está crescendo.
Pressão aumenta no Congresso
O gabinete Trump se prepara para novas violações do direito internacional, enquanto sente a reação negativa às demais irregularidades cometidas. Comitês do Congresso dos Estados Unidos anunciaram investigações contra Hegseth, por crimes relacionados a ataques de mísseis a barcos no Caribe, nas quais a ordem foi supostamente “matar todos”.
“Essas são acusações graves e é por isso que teremos supervisão especial”, disse o senador Roger Wicker, do Mississippi, presidente republicano do Comitê de Serviços Armados do Senado, conforme reportado pela PBS.
O crescente escrutínio segue um relatório revelado pelo Washington Post, com detalhes da ordem do secretário de Defesa para um segundo ataque, o chamado “double tap”, contra sobreviventes que se agarravam ao casco de uma embarcação em chamas, atacada por míssil. Além da investigação, vários congressistas democratas pedem a renúncia de Hegseth.
Questionado em entrevista ao The Hill, em 2 de dezembro, sobre ter alvejado sobreviventes do ataque à embarcação, Trump se esquivou da ordem e Hegseth culpou o almirante Mitch Bradley. “Segui para minha próxima reunião. Algumas horas depois, soube que aquele comandante havia feito o… decisão correta de, em última instância, afundar o barco e eliminar a ameaça”, disse Hegseth.
Aumentando a pressão sobre o secretário, o inspetor-geral do Pentágono divulgou um relatório, nesta quinta-feira (04/12), concluindo que o secretário de Defesa violou as regras do Departamento e colocou as forças dos EUA em risco, em abril deste ano, ao compartilhar os ataques aéreos contra o Iêmen, em um chat da plataforma Signal.
O escrutínio renovado ocorre após uma coalizão bipartidária, tanto no Senado quanto na Câmara, tentar conter a capacidade do presidente dos Estados Unidos de realizar ataques mortais no Caribe, por meio da Lei dos Poderes de Guerra.

Organizações norte-americanas realizam dia nacional de ação em defesa do país caribenho neste sábado (06)
Fórum do Povo
Dia da Ação
À medida que a oposição continua a crescer na legislatura, movimentos de base também estão se mobilizando contra a ofensiva dos EUA na Venezuela. A ameaça de guerra cresce, mas também cresce a resistência popular
Na mesma pesquisa CBS/YouGov, 75% das pessoas nos EUA disseram que o governo precisa apresentar provas de que os barcos que estão sendo bombardeados transportam drogas. Apenas 13% dos americanos acreditam que a Venezuela é uma “grande ameaça” à segurança nacional dos EUA.
“A administração Trump está completamente desfasada perante à opinião pública ao ameaçar iniciar uma guerra eterna, com objetivo de saquear os vastos recursos petrolíferos da Venezuela”, afirma Brian Becker, diretor nacional da Coalizão ANSWER.
Após Trump declarar o espaço aéreo venezuelano como “fechado”, alegando que as greves terrestres começariam “muito em breve”, uma coalizão de organizações, incluindo a coalizão ANSWER, The Peoples Forum, o Movimento da Juventude Palestina, o Partido pelo Socialismo e Libertação, entre outras, anunciou um dia nacional de ação para amanhã, 6 de dezembro.
De acordo com o comunicado de imprensa da Coalizão, mais de 50 cidades sediarão ações de protesto sob o slogan “Sem guerra contra a Venezuela – Parem a guerra antes que ela comece”.
“Os ataques repetidos da administração Trump no Caribe chocaram o mundo como violações flagrantes do direito internacional”, afirma a coalizão.
“Agora, Trump está ameaçando abertamente escalar sua agressão para realizar ataques em território venezuelano – um ato inconfundível de guerra. Isso poderia facilmente se transformar em uma invasão terrestre e levar à morte e destruição catastróficas.”
Os organizadores esperam que o dia de ação seja uma “poderosa demonstração da oposição de massa” à campanha de guerra dos EUA contra a nação bolivariana.
Após guerras dos EUA que duraram décadas no Iraque e no Afeganistão, a crescente resistência no Congresso e nas ruas mostra que o povo dos Estados Unidos se recusa a ser arrastado para mais um desastre imperialista.
* Reportagem originalmente publicada no Peoples Dispatch























