Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
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O governo dos Estados Unidos permanece acelerando a busca pela guerra com a Venezuela. Enquanto circulam rumores sobre ligações telefônicas e possíveis conversas entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder venezuelano Nicolás Maduro; o chefe de Estado dos EUA continua lançando ameaças e acusações bizarras e ilegais contra a nação sul-americana.

No sábado (29/11), Trump declarou unilateralmente que o espaço aéreo venezuelano estava fechado, apesar do direito internacional estipular que apenas a Venezuela tem autoridade sobre o espaço acima de seu território; e que o tráfego continua desde então.

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Trump, seu secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmaram que ataques terrestres e “ações” contra a Venezuela poderiam começar em breve e que o país deveria estar em alerta. Até o momento, continuam os ataques aéreos a embarcações no Caribe, que já levaram à morte de pelo menos 83 pessoas. Sem apresentar provas, Washington alega que as vítimas traficavam drogas.

O aumento da presença militar norte-americana, sem precedentes na região, consiste no porta-aviões USS Gerald R. Ford (CVN-78), caças F-35, pelo menos oito navios de guerra e 15.000 soldados americanos. As atividades militares norte-americanas são coordenadas em Porto Rico, Trinidad e Tobago e República Dominicana.

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Apesar do apetite descarado de Trump pela guerra, parece que a opinião pública nos Estados Unidos é contra a escalada de Trump contra a Venezuela. Pesquisa recente realizada pela CBS News/YouGOV revelou que 70% das pessoas nos EUA se oporiam à ação militar dos EUA na Venezuela.

Ao mesmo tempo, algumas iniciativas bipartidárias, embora limitadas, foram tomadas para usar a autoridade do Congresso, impedindo que Trump tome uma ação militar. Do legislativo até os movimentos de base, a oposição a uma guerra dos Estados Unidos contra a nação caribenha está crescendo.

Pressão aumenta no Congresso

O gabinete Trump se prepara para novas violações do direito internacional, enquanto sente a reação negativa às demais irregularidades cometidas. Comitês do Congresso dos Estados Unidos anunciaram investigações contra Hegseth, por crimes relacionados a ataques de mísseis a barcos no Caribe, nas quais a ordem foi supostamente “matar todos”.

“Essas são acusações graves e é por isso que teremos supervisão especial”, disse o senador Roger Wicker, do Mississippi, presidente republicano do Comitê de Serviços Armados do Senado, conforme reportado pela PBS.

O crescente escrutínio segue um relatório revelado pelo Washington Post, com detalhes da ordem do secretário de Defesa para um segundo ataque, o chamado “double tap”, contra sobreviventes que se agarravam ao casco de uma embarcação em chamas, atacada por míssil. Além da investigação, vários congressistas democratas pedem a renúncia de Hegseth.

Questionado em entrevista ao The Hill, em 2 de dezembro, sobre ter alvejado sobreviventes do ataque à embarcação, Trump se esquivou da ordem e Hegseth culpou o almirante Mitch Bradley. “Segui para minha próxima reunião. Algumas horas depois, soube que aquele comandante havia feito o… decisão correta de, em última instância, afundar o barco e eliminar a ameaça”, disse Hegseth.

Aumentando a pressão sobre o secretário, o inspetor-geral do Pentágono divulgou um relatório, nesta quinta-feira (04/12), concluindo que o secretário de Defesa violou as regras do Departamento e colocou as forças dos EUA em risco, em abril deste ano, ao compartilhar os ataques aéreos contra o Iêmen, em um chat da plataforma Signal.

O escrutínio renovado ocorre após uma coalizão bipartidária, tanto no Senado quanto na Câmara, tentar conter a capacidade do presidente dos Estados Unidos de realizar ataques mortais no Caribe, por meio da Lei dos Poderes de Guerra.

Organizações norte-americanas realizam dia nacional de ação em defesa do país caribenho neste sábado (06)
Fórum do Povo

Dia da Ação

À medida que a oposição continua a crescer na legislatura, movimentos de base também estão se mobilizando contra a ofensiva dos EUA na Venezuela. A ameaça de guerra cresce, mas também cresce a resistência popular

Na mesma pesquisa CBS/YouGov, 75% das pessoas nos EUA disseram que o governo precisa apresentar provas de que os barcos que estão sendo bombardeados transportam drogas. Apenas 13% dos americanos acreditam que a Venezuela é uma “grande ameaça” à segurança nacional dos EUA.

“A administração Trump está completamente desfasada perante à opinião pública ao ameaçar iniciar uma guerra eterna, com objetivo de saquear os vastos recursos petrolíferos da Venezuela”, afirma Brian Becker, diretor nacional da Coalizão ANSWER.

Após Trump declarar o espaço aéreo venezuelano como “fechado”, alegando que as greves terrestres começariam “muito em breve”, uma coalizão de organizações, incluindo a coalizão ANSWER, The Peoples Forum, o Movimento da Juventude Palestina, o Partido pelo Socialismo e Libertação, entre outras, anunciou um dia nacional de ação para amanhã, 6 de dezembro.

De acordo com o comunicado de imprensa da Coalizão, mais de 50 cidades sediarão ações de protesto sob o slogan “Sem guerra contra a Venezuela – Parem a guerra antes que ela comece”.

“Os ataques repetidos da administração Trump no Caribe chocaram o mundo como violações flagrantes do direito internacional”, afirma a coalizão.

“Agora, Trump está ameaçando abertamente escalar sua agressão para realizar ataques em território venezuelano – um ato inconfundível de guerra. Isso poderia facilmente se transformar em uma invasão terrestre e levar à morte e destruição catastróficas.”

Os organizadores esperam que o dia de ação seja uma “poderosa demonstração da oposição de massa” à campanha de guerra dos EUA contra a nação bolivariana.

Após guerras dos EUA que duraram décadas no Iraque e no Afeganistão, a crescente resistência no Congresso e nas ruas mostra que o povo dos Estados Unidos se recusa a ser arrastado para mais um desastre imperialista.

* Reportagem originalmente publicada no Peoples Dispatch