Terça-feira, 3 de março de 2026
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Quase dois meses após a operação militar norte-americana que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, a Venezuela vive um dos momentos mais complexos de sua história. No programa 20 MINUTOS, Breno Altman apresentou um relato baseado em sua recente viagem a Caracas, no qual testemunhou a vitalidade do chavismo.

“O chavismo não está morto e tem enorme vitalidade. Organizou, educou e mobilizou o povo. Não é fenômeno de um indivíduo, é fenômeno de massas, de muito poder de mobilização e que está enraizado na população bolivariana”, disse o jornalista e fundador de Opera Mundi.

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Juventude, estudantes, operários petroleiros e moradores das comunas se alternam nas ruas diariamente em mobilizações pela libertação de Maduro e Flores. “A resistência venezuelana segue seu curso”.

Ao contrário das versões que circularam na imprensa internacional, o jornalista disse ter saído do país “convencido de que não houve golpe interno no chavismo, nem traição política ao presidente Nicolás Maduro, que segue informado sobre a situação e apoiando a presidente encarregada”.

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“A presidente encarregada Delcy Rodríguez, o ministro do Interior Diosdado Cabello e o presidente da Assembleia Nacional Jorge Rodríguez – as três principais figuras do governo – não cometeram qualquer ato desleal”, afirmou.

O jornalista analisa que a Venezuela se viu diante de um extremo desequilíbrio. Três fatores jogavam contra: o sequestro do presidente, a fragilidade defensiva evidenciada e o bloqueio naval absoluto. “Sozinha, sem apoio militar efetivo de Rússia ou China, e com a maioria dos países latino-americanos silenciosos. O problema da Venezuela não tem nada a ver com democracia. Tem a ver com o imperialismo. A Venezuela foi agredida pelos Estados Unidos, sofreu um ataque brutal. Mais de 100 pessoas foram mortas. O presidente da República foi sequestrado”, disse.

Diante disso, a opção política foi negociar para ganhar tempo. “Tentar construir uma nova realidade e os termos nos quais se poderia libertar o presidente Maduro em algum momento. A grande lição da crise venezuelana é a centralidade da questão militar. A soberania só é garantida pela força militar”.

O petróleo tornou-se a moeda para ganhar tempo. As negociações que se seguiram, incluindo a visita do diretor da CIA – o mesmo que participou do assassinato do pai de Delcy Rodríguez em 1976 –, precisam ser compreendidas nesse contexto, segundo Altman. “Imagine Delcy sendo obrigada a receber o diretor da CIA. O que significaria não recebê-lo? Significaria que a negociação não ia ocorrer, que a Venezuela não estava disposta a negociar”, disse.

Em relação ao apoio do governo brasileiro, Altman observa uma cautela diante do cenário interno de eleições, em que a Venezuela pode ser vista como um tema negativo. O jornalista defende que Lula convoque Delcy para uma visita oficial, rompendo o isolamento do país. “A essa altura, já devíamos ter aprendido que todas as vezes que a esquerda não enfrenta a direita, abre espaço para a extrema direita”, afirmou.

A situação de Maduro e as perspectivas futuras

Nicolás Maduro e Cilia Flores estão presos no centro de detenção metropolitana do Brooklyn, em Nova York. Maduro tem mais restrições que a esposa: está isolado, tem apenas 10 minutos mensais de ligação, só pode falar com advogados e familiares – todas as ligações são gravadas. Os advogados podem visitá-los duas vezes por semana e eles só se veem nessas ocasiões.

Altman disse que o presidente foi machucado no ataque e tem um problema no joelho – por isso manca nas imagens –, mas mantém o humor, faz exercícios e reclama da comida apimentada. O filho, Nicolás Maduro Guerra, contou ao jornalista que “o pai é tratado com respeito pelos carcereiros, que o chamam de presidente”.

A próxima audiência, inicialmente marcada para 17 de março, foi adiada para o dia 26. A acusação, segundo Altman, “não tem caso”. “Não há cartel, não há nada. Os Estados Unidos tentam construir um processo sem provas”.