Reuters: EUA preparam nova fase de operações contra Venezuela
Segundo agência, operações secretas devem constituir primeira etapa de ataques; Caracas rechaça declarações de Rubio sobre narcotráfico
Os Estados Unidos estão prontos para lançar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela nos próximos dias, afirma a agência Reuters, em reportagem divulgada neste domingo (23/11), a partir de informações de quatro autoridades norte-americanas, em condição de anonimato.
A Reuters não teve nenhuma confirmação de datas ou do escopo das operações, nem se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já tomou sua decisão. As fontes, no entanto, apontam que medidas iminentes estão sendo debatidas na Casa Branca.
Dois dos oficiais ouvidos pela agência disseram que as operações secretas devem constituir a primeira etapa da nova ofensiva contra a Venezuela. Um alto funcionário do governo afirmou que Trump estaria “disposto a usar todos os elementos do poder americano para impedir que as drogas invadam nosso país e levar os responsáveis à justiça”.
Duas autoridades também confirmaram à agência que uma das opções em discussão inclui a derrubada do presidente Nicolás Maduro.
Venezuela
Neste final de semana, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, voltou a relacionar o Cartel de Los Soles ao governo Maduro, classificando o grupo narcotraficante de organização terrorista. Caracas repudiou as declarações de forma “categórica, firme e absoluta”, destaca a TeleSur.
Em comunicado, o governo venezuelano afirmou que a acusação representa “uma nova e ridícula farsa” destinada a construir um pretexto para legitimar uma intervenção militar contra o país. Disse, ainda, que Rubio relança “uma mentira infame e vil” utilizada em diferentes ocasiões para promover agressões políticas, diplomáticas e militares contra o país.

Caracas rechaça declarações de Rubio sobre envolvimento do governo com narcotráfico
Imprensa Presidencial da Venezuela
O texto, divulgado na plataforma Telegram, também sustenta que a iniciativa dos Estados Unidos seguirá o mesmo destino das anteriores: “fracassar, devido à falta de apoio e à rejeição generalizada na região”. E garante que o povo venezuelano se mantém “unido, coeso e em plena atividade nacional”.
Até agora, os Estados Unidos realizaram 21 ataques a embarcações nos mares caribenhos, levando à morte de pelo menos 83 pessoas. O maior porta-aviões da Marinha dos EUA, o USS Gerald R. Ford, chegou no último dia 16 à região, somando-se a um destacamento que inclui sete navios de guerra, um submarino nuclear e aeronaves F-35.
Poder sem controle
Em artigo publicado no The Guardian, o historiador Daniel Mendiola destaca que as ameaças dos Estados Unidos contra o país expressam a “consolidação de um poder presidencial sem controle”.
Professor de história latino-americana e estudos de migração no Vassar College, observa que Trump segue um “manual autoritário coeso”, buscando expandir seus poderes presidenciais em diversas áreas. Em sua avaliação, este movimento expressa a afirmação de uma autoridade irrestrita sobre o uso da força militar e da definição de quem pode ser considerado “terrorista”.
Mendiola questiona as justificativas da Casa Branca contra Caracas, alertando que a Venezuela não produz fentanil e que Washington, até agora, não apresentou qualquer evidência de que os barcos atacados transportassem drogas.
“Passamos décadas aterrorizando populações civis ao redor do mundo em nome do combate ao terror. Isso é bem conhecido, e ainda assim a Casa Branca de Trump está revigorando a ‘guerra ao terror’ de qualquer forma”, aponta o historiador.
“Além disso, está tentando fazer isso com ainda menos fiscalização sobre a licença do presidente para matar do que já foi exercida no passado”, acrescentou.
























