Rússia denuncia sequestro de petroleiro pelos EUA: ‘ilegal’
Casa Branca ignora tensão diplomática e diz que governo Trump vai 'implementar melhor política' e aplicar bloqueio ao petróleo venezuelano 'em todos os navios'
A Rússia denunciou nesta quarta-feira (07/01) o sequestro feito pelos Estados Unidos de seu navio que transportava petróleo venezuelano, ressaltando que a embarcação foi abordada “fora das águas territoriais de qualquer Estado”.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia expressou “preocupação com a crescente e desproporcional atenção dada pelos EUA ao navio”, nomeado ‘Marinera’, e disse estar acompanhando de perto os relatos sobre a situação após a perda da comunicação com a embarcação.
Ao apontar que o petroleiro viajava em águas internacionais, o governo russo destacou que a perseguição contradiz os princípios da liberdade de navegação. “Esperamos que os países ocidentais, que declaram seu compromisso com a liberdade de navegação em alto-mar, comecem a se concentrar em si mesmos ao implementar esse princípio”, disse a chancelaria em comunicado oficial.
A Rússia também classificou o sequestro da embarcação como uma operação “ilegal”. “A abordagem do petroleiro russo Marinera, antigo Bella 1, em alto mar por forças norte-americanas violou a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982”, declarou o Ministério dos Transportes de Moscou, citado pela agência Ria Novosti.
Da mesma forma, Moscou exigiu que Washington garanta tratamento humano à tripulação do navio sequestrado. “Considerando as informações recebidas sobre a presença de cidadãos russos entre a tripulação, exigimos que os Estados Unidos garantam a eles um tratamento humano e digno, respeitem rigorosamente seus direitos e interesses e não impeçam seu retorno imediato à pátria”, declarou.
Segundo a empresa proprietária do navio, BurevestMarin, a tripulação do Marinera é composta por cidadãos da Rússia, Ucrânia e Geórgia , o que reforça a natureza civil da embarcação. Assim, questionou a necessidade de as Forças Armadas dos EUA realizarem tais ações contra o petroleiro.
Na última terça-feira (06/01), a companhia russa denunciou a tentativa dos EUA de interceptar o petroleiro russo no Atlântico Norte durante uma tempestade. “Nossa embarcação civil, que não transporta carga e navega em lastro, está sendo perseguida há algum tempo pela Guarda Costeira dos EUA”, afirmou a empresa, acrescentando que, apesar das “repetidas tentativas do capitão de comunicar a identidade e a natureza civil da embarcação de bandeira russa, a perseguição continua com vigilância aérea coordenada por aeronaves de reconhecimento P-8A Poseidon da Marinha dos EUA”.
Após os relatos da BurevestMarin, foram divulgadas imagens que mostram um helicóptero estadunidense voando muito perto da embarcação russa.
Antes da confirmação da agressão, a companhia alertou que os EUA “planejavam interceptar a embarcação em breve”, ação que descreveu como injustificada e perigosa. A empresa também instou Washington a “exercer moderação e permitir uma resolução pacífica por meio do direito marítimo internacional”, em vez de colocar vidas em risco em condições climáticas adversas.
A empresa alertou que qualquer tentativa de desembarcar de helicópteros ou embarcar no navio em meio à tempestade representaria uma “ameaça grave e injustificável” tanto à vida dos militares estadunidenses quanto da tripulação do navio.
Já Andrei Klishas, parlamentar governista da Rússia, citado pela agência russa de notícias Tass, denunciou o sequestro do navio como “um ato de pura pirataria”.

Mesmo com alertas, EUA sequestraram navio nesta quarta-feira (07/01), com apoio britânico
U.S. European Command/X
Casa Branca garante aplicação integral de bloqueio
Por sua vez, a Casa Branca não demonstrou preocupação em aumentar as tensões com a Rússia. A porta-voz Karoline Leavitt disse que o presidente Donald Trump “tem uma relação muito boa e aberta” com o mandatário russo, Vladimir Putin. “Acredito que essa relação pessoal vai continuar”, acrescentou.
Por outro lado, disse que o republicano vai seguir “implementando a melhor política para os EUA”. “E no que diz respeito a essas apreensões de navios, isso significa aplicar o embargo a todos os navios da frota clandestina que transportam petróleo ilegalmente”, declarou.
Quanto à tripulação do navio, Leavitt disse que o governo Trump “vai aplicar integralmente a política de sanções” que dizem respeito ao bloqueio do petróleo venezuelano. Segundo o jornal britânico The Guardian, isso significa que a equipe da embarcação pode ser julgada pela Justiça estadunidense.
Sequestro do navio
Mesmo com os alertas, os EUA sequestraram o navio nesta quarta-feira (07/01), com apoio britânico, em uma área entre as Ilhas Britânicas e a Islândia, por supostas violações das sanções norte-americanas, segundo o Comando Europeu das Forças Armadas dos Estados Unidos (EUCOM, na sigla em inglês).
“O Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna anunciaram hoje a apreensão do M/V Bella 1 por violações das sanções dos EUA. A embarcação foi apreendida no Atlântico Norte, com base em um mandado emitido por um tribunal federal norte-americano, após ter sido monitorada pelo USCGC Munro”, escreveu a conta oficial do EUCOM na rede social X.
The @TheJusticeDept & @DHSgov, in coordination with the @DeptofWar today announced the seizure of
the M/V Bella 1 for violations of U.S. sanctions. The vessel was seized in the North Atlantic pursuant to a warrant issued by a U.S. federal court after being tracked by USCGC Munro. pic.twitter.com/bm5KcCK30X— U.S. European Command (@US_EUCOM) January 7, 2026
Após as forças armadas anunciarem a apreensão, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou que o bloqueio estadunidense ao petróleo venezuelano continua plenamente em vigor. “O bloqueio ao petróleo venezuelano sancionado e ilícito permanece em PLENO VIGOR — em qualquer parte do mundo”, escreveu na rede X.
Entretanto, Moscou afirmou que, em 24 de dezembro de 2025, as autoridades norte-americanas concederam ao navio Marinera “uma autorização temporária para navegar sob a bandeira estatal da Federação Russa, emitida de acordo com a legislação russa e as normas do direito internacional”.
(*) Com Ansa, Brasil247, RT en español e informações de The Guardian
























