Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

O processo judicial ao qual o governo dos Estados Unidos submete o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama do país, Cilia Flores, teve seu primeiro capítulo nesta segunda-feira (05/01), no qual ambos se declararam inocentes das acusações.

Em pronunciamento diante do Tribunal Distrital Sul de Nova York, o mandatário afirmou ser inocente e disse ser um “prisioneiro de guerra” e que “ainda sou o presidente do meu país, estou sequestrado”. A postura de Flores foi a mesma, dizendo que “ainda sou a primeira-dama da Venezuela”.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Após os pronunciamentos, o juiz Alvin Hellerstein, responsável pelo caso, decretou a prisão preventiva do presidente venezuelano e sua esposa.

O magistrado também determinou a data para a próxima audiência do caso, que acontecerá no dia 17 de março.

Mais lidas

Na Justiça federal dos Estados Unidos, a primeira audiência costuma ser protocolar, para dar início ao processo, e a segunda também, mas com o objetivo de organizar o processo antes do julgamento, visando principalmente a apresentação de provas e contraprovas por parte da acusação e da defesa.

A segunda audiência também deve determinar a data do julgamento de Maduro e Flores, e também serve para iniciar a fase de apresentação de moções por parte da defesa, a partir dos prazos que serão fixados pelo magistrado.

Denúncia

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusa Maduro de quatro supostos crimes: conspiração para o narcotráfico, colaboração com o terrorismo, conspiração para importação de cocaína e posse ilegal de metralhadoras e dispositivos destrutivos.

A imprensa local tem destacado o fato de que a peça acusatória apresentada ao tribunal retirou uma das principais alegações de Trump contra Maduro: a de que ele seria o líder de uma suposta organização de narcotráfico chamada “Cartel de Los Soles”.

No documento original, de 2020, Maduro era descrito como o líder do suposto Cartel de Los Soles, termo mencionado 32 vezes. Durante o ano de 2025, Trump se referiu diversas vezes à organização, classificando-a como “terrorista”. Porém, o governo da Venezuela sempre argumentou que a tal quadrilha não existe.

Ainda sem apresentar provas da sua existência, o Departamento de Justiça cita a organização apenas duas vezes, descrevendo-a não como um cartel formal, mas como um suposto “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção”, supostamente alimentada por recursos do narcotráfico.

Nicolás Maduro e Cilia Flores foram sequestrados pelas forças militares dos Estados Unidos
TeleSur

Em vez de descrevê-la como uma “organização hierárquica dedicada ao narcotráfico”, a nova peça define-a como uma “cultura de corrupção” composta por altos funcionários civis e militares venezuelanos que “protegem e promovem o narcotráfico”, uma definição muito distante da de um cartel de drogas com o qual Trump justificou um destacamento militar sem precedentes no Mar do Caribe, antes do ataque direto à Caracas.

Também se apresenta o argumento – novamente, sem provas – de que Maduro e Hugo Chávez (1999-2013), líder da Revolução Bolivariana –, “participaram, perpetuaram e protegeram” esse suposto esquema de clientelismo.

Advogado de Assange

Vale lembrar que o advogado que a equipe de juristas que realiza a defesa do casal presidencial venezuelano será liderada pelo advogado penal norte-americano Barry Pollack, conhecido por ter conduzido o acordo que garantiu a libertação de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, em 2024.

O time defensor também é composto por David Wikstrom, advogado criminalista que foi nomeado pelo tribunal norte-americano para representá-lo na fase inicial do processo. Wikstrom é conhecido por ter participado da acusação no processo criminal movido no passado por Zohran Mamdani, contra Eric Adams, então prefeito de Nova York Eric Adams – antes de ele perder o cargo, ao ser derrotado nas urnas justamente por Mamdani, em pleito realizado em novembro de 2025.