Senado dos EUA bloqueia resolução que limitaria ações militares de Trump na Venezuela
Votação de 51 a 50, com desempate do vice-presidente JD Vance, derrubou resolução que exigia autorização do Congresso em assuntos de guerra
O Senado dos EUA bloqueou, por um voto, na quarta-feira (14/01), uma resolução que obrigaria o presidente Donald Trump a obter autorização do Congresso para ações militares na Venezuela. A votação apertada, de 51 a 50, só foi possível após o voto de desempate do vice-presidente JD Vance, que como presidente do Senado compareceu ao Capitólio para apoiar o governo.
A iniciativa, baseada na Resolução sobre Poderes de Guerra, foi uma resposta direta ao sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças americanas no dia 3 de janeiro – um ato que gerou alarme em setores do Congresso.
Os líderes republicanos conseguiram apoio suficiente para sua manobra processual de derrubar a resolução depois que os senadores Josh Hawley, do Missouri, e Todd Young, de Indiana, mudaram de posição e se juntaram ao esforço para impedir que ela fosse votada.
Hawley e Young faziam parte de um grupo de cinco republicanos (Rand Paul do Kentucky, Lisa Murkowski do Alasca e Susan Collins do Maine) que, na semana passada, juntaram-se a todos os democratas no apoio à medida que visa limitar os poderes de guerra do presidente.
Por sua vez, tal mudança provocou uma reação negativa de Trump. Em uma publicação nas redes sociais, ele condenou a “estupidez” dos senadores republicanos e disse que eles deveriam perder seus assentos no Congresso. Autoridades da Casa Branca e líderes do Partido Republicano vinham pressionando os cinco senadores dissidentes a mudarem seus votos.

A votação, apertada em 51 a 50, impediu o avanço da medida depois que o vice-presidente JD Vance foi ao Capitólio para dar o voto decisivo a favor do Poder Executivo
Scrumshus / Wikimedia Commons
Segundo o New York Times (NYT), na terça-feira (13/01), o senador James R. Risch, republicano de Idaho e presidente da Comissão de Relações Exteriores, solicitou à Casa Branca, por meio de uma carta, a confirmação do fim da Operação Absolute Resolve e de que “militares norte-americanos não estão mais envolvidos em hostilidades na Venezuela”.
Em resposta enviada na manhã de quarta-feira, o Secretário de Estado Marco Rubio enfatizou o escopo limitado da operação e garantiu a Risch que “atualmente não há forças armadas dos EUA na Venezuela”. Ele também afirmou que o Congresso seria notificado sobre quaisquer novas ações, ”de acordo com os requisitos da Resolução sobre Poderes de Guerra”.
A resolução foi liderada pelos democratas Tim Kaine, Adam B. Schiff e Chuck Schumer, com o apoio do republicano Rand Paul. Se aprovada, ela teria determinado “a retirada das forças armadas dos Estados Unidos das hostilidades dentro ou contra a Venezuela que não foram autorizadas pelo Congresso”.
A derrota aconteceu após duas outras tentativas de reafirmar a autoridade do Congresso em assuntos de guerra no ano passado, no Senado.
De acordo com o NYT, Paul, o único republicano a co-patrocinar a resolução, disse que também conversou com Trump, mas não se convenceu. Ele criticou os líderes do partido por “jogarem sujo” e acusou o governo de enganar os legisladores. “Ah, é uma operação antidrogas. Ah, estamos atrás de drogas. Ah, não são drogas, agora é petróleo”, disse ele. “Então veja, a troca de isca já aconteceu”.
























