Sequestro de Maduro pelos EUA é ‘desculpa para intervenção imperialista’, diz especialista jurídico
Ao Democracy Now, David Cole descartou justificativa sobre ‘operação para aplicação da lei’ e acusou governo Trump de interesse no petróleo venezuelano
O especialista jurídico norte-americano David Cole afirmou que o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro não foram “uma operação policial para aplicação da lei”, como alega o governo Donald Trump, mas sim “uma desculpa para uma intervenção imperialista” no país latino-americano.
Em entrevista ao programa Democracy Now, o professor de Direito e Políticas Públicas da Universidade de Georgetown lembrou que a intervenção norte-americana começou com “a execução sumária de mais de cem de pessoas em barcos, supostamente envolvidas com tráfico de drogas”.
Após as execuções extrajudiciais, “a situação escalou para o bombardeio de um porto de carga na Venezuela”, além de incluir “um embargo e bombardeio a navios”.
Segundo Cole, o sequestro de Maduro e da primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, “foi a desculpa, e não a justificativa”. Para o professor, Trump deixou sua intenção “bem clara” ao declarar que Washington estava “governando a Venezuela”, “tomando controle de seu petróleo” e dando acesso às companhias petrolíferas norte-americanas.
Sobre as intenções dos EUA em relação ao petróleo venezuelano, Cole afirmou que “Trump diz o que todos pensam”. Ele lembrou que Washington já foi acusado “em muitas outras ocasiões de intervir em outros países por interesses econômicos e exploração”. Contudo, o que Trump fez foi “admitir, sem rodeios” essa intenção.

Especialista jurídicou afirmou que Trump admitiu intenção de explorar petróleo na Venezuela
Official White House Photo by Molly Riley/X
“Isso não é uma operação policial. Não é legítimo, sob nenhuma interpretação do direito internacional, do direito [norte-]americano, invadir outro país porque eles têm algo que queremos. Simplesmente não é assim que o mundo funciona”, reiterou.
Cole também repudiou a argumentação do governo Trump de que as ações contra a Venezuela visam “proteger” os cidadãos estadunidenses do suposto tráfico de drogas. “Não há sequer a pretensão de proteger os [norte-]americanos. Trata-se de proteger os interesses financeiros dos Estados Unidos, e em particular os interesses financeiros de seus produtores de petróleo. E isso ultrapassa todos os limites do direito internacional, da legislação americana e da moralidade básica”, reconhece.
Diante da ilegalidade das ações do governo Trump, Cole alertou para a necessidade de uma “condenação generalizada” e disse estar “muito preocupado com a omissão de países europeus”.
“Eles claramente temem Trump e suas táticas econômicas. Mas precisamos de uma condenação internacional por parte do Conselho de Segurança da ONU e de todos os países que respeitam a soberania”, alertou.
Segundo o especialista jurídico, também é urgente que o Congresso dos EUA “rejeite uma guerra em curso na Venezuela”. “Não deveríamos estar na Venezuela, ponto final. Portanto, o Congresso pode votar para pôr fim a isso”, concluiu.























