Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu uma entrevista coletiva, em Mar-a-Lago, na Flórida, sobre o ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores neste sábado (03/01).

Trump afirmou que através de suas Força Armadas, os Estados Unidos conduziram “uma operação extraordinária” na capital da Venezuela, para tirar “o ditador fora da lei de lá e trazê-lo à Justiça”. “Foi uma das exibições mais eficazes do poder norte-americano e da competência dos nossos militares”, avaliou.

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Ele relatou que o presidente Maduro e sua esposa irão “enfrentar a Justiça norte-americana” e que eles foram acusados “formalmente pelo Distrito de Nova York, por sua campanha de narcoterrorismo mortal contra os Estados Unidos”.

“Vamos governar a Venezuela até que possa haver uma transição segura”, disse. “Nós queremos coordenar esse país de uma forma justa e que tenha alguém ali até que essa situação seja resolvida. Nós iremos administrar o país até que ele possa permanecer de forma segura, apropriada e que seja justo. Nós queremos paz, liberdade e justiça para o povo da Venezuela. Isso inclui muitos venezuelanos que vivem nos EUA e querem voltar para casa”, acrescentou.

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Trump descartou um segundo ataque. Não será preciso, porque a primeira ofensiva “foi muito bem sucedida”, afirmou, não sem ameaçar: “estamos preparados para uma segundo muito maior na verdade. Nós podemos fazer isso”.

Petróleo e Doutrina Monroe

Em sua fala, Trump mencionou várias vezes o petróleo venezuelano. “Nós teremos as grandes empresas norte-americanas de petróleo. Algumas estão entre as maiores do mundo e elas vão gastar bilhões de dólares para consertar a infraestrutura que está totalmente destruída na Venezuela”, disse.

“Nós conseguimos apreender petróleo venezuelano para trazer para o solo norte-americano”, complementou, ao acusar a Venezuela de ter roubado “milhões de dólares do nosso petróleo”. Ele afirmou que o petróleo foi roubado dos Estados Unidos: “nós que construímos a indústria petrolífera na Venezuela, com nosso talento, nosso trabalho. Deixamos que o regime socialista roubasse durante os governos anteriores e usando a força. Isso foi um dos maiores roubos de propriedade da história do nosso país”.

“Uma estrutura imensa de petróleo foi tomada e os norte-americanos nunca vão permitir que poderes estrangeiros roubem o nosso povo”,  , disse Trump. Ele também citou literalmente a Doutrina Monroe: “ela foi muito importante, não podemos esquecê-la”, e afirmou que ela está na nova estratégia de dominância regional dos Estados Unidos.

“A dominância norte-americana nunca mais será questionada. Por décadas os nossos governos foram negligentes. Agora, nós estamos reassegurando o poder norte-americano de uma forma muito forte em nosso país, na região aonde fica o nosso país. Será tudo muito diferente. O futuro será determinado pela capacidade de proteger territórios, comércios e recursos que são centrais para a segurança nacional”, acrescentou.

Futuro da Venezuela

Ao ser questionado sobre o futuro da Venezuela, Trump reiterou: “nós vamos administrar o país, vamos fazer isso de uma forma justa e isso trará muito dinheiro para as pessoas. Nós vamos reembolsar as pessoas que foram roubadas de certa forma. Eles roubaram o nosso petróleo. Construíram toda uma indústria com a nossa ajuda”.

Ele disse que pessoas serão designadas para isso. “Vocês saberão muito em breve. Será por um período, as pessoa que estão aqui comigo irão governar. No momento [a Venezuela] é um país morto. Nós éramos um país morto há um ano, e hoje somos o país mais quente do mundo. Isso exige liderança. Teve muitas pessoas ruins ali que não deveriam ter liderado o país. Não vamos da nenhuma chance para que essas pessoas assumam no lugar de Maduro”, afirmou.

Trump salientou que há militares fantásticos na Venezuela e acrescentou, sem detalhar, “temos pessoas para governar até que eles possam fazer por conta própria”. Ele descartou um governo sob Marina Corina: “para ela seria muito difícil, porque ela não tem o apoio e o respeito de todo o país”.

‘Reembolso’

Segundo Trump, não haverá custos para os Estados Unidos governar a Venezuela. “Nós vamos reconstruir e não vamos gastar dinheiro. Nós vamos recuperar o petróleo, muito dinheiro sairá daquele solo e nós seremos reembolsados”. Para os venezuelanos, disse que eles terão o “país de volta”: “teremos as maiores companhias de petróleo do mundo investindo bilhões de dólares, usando esse dinheiro na Venezuela. Os venezuelanos serão os maiores beneficiados”. Ele também acrescentou que os venezuelanos que saíram do país, “agora, poderão retornar”.

Sobre a China, Rússia e Irã, Trump afirmou que a Rússia “terá de andar na linha” e, em relação aos outros países, garantiu: “nós venderemos  [petróleo] para eles. Eles não podem falar nada porque venderemos imensas quantidades de petróleo”.

Ele também foi questionado sobre Cuba. “Cuba é algo que falaremos no futuro. É uma nação que está fracassando muito e queremos ajudar os cubanos e aqueles que foram forçados a sair do país e querem retornar”, afirmou, ao chamar o Secretário de Estado, Marco Rubio, para complementar a resposta.

‘Vamos governar a Venezuela até que possa haver uma transição segura’, diz Trump
Reprodução vídeo / The White House

Ataques

Segundo Trump, após o ataque neste sábado (03/01), os Estados Unidos passaram a ser “respeitados como nunca antes”. Ele detalhou sobre a ofensiva: “eles estavam esperando por nós, porque tínhamos muitas embarcações ali. Eles foram completamente obliterados. O que vi ontem a noite, foi algo muito impressionante. Foi incrível de assistir. Nenhum americano foi assassinado, nenhum pedaço de equipamento americano foi perdido”, afirmou.

Ele relatou que o presidente Maduro e sua esposa estão indo para Nova York, e que uma decisão será tomada nos tribunais da cidade. “Por muitos anos, em seu mandato como presidente, Nicolas Maduro se manteve no poder mesmo quando o mandato havia terminado”, afirmou Trump, ao dizer que o líder venezuelano ameaçou os Estados Unidos e aterrorizou o país, sendo o grande responsável pelo tráfico de drogas.

Segundo ele, “97% das drogas que chegam ao país vêm pelo mar” e “cada barco pode matar, em média, 25 mil pessoas”. “Agora, Maduro nunca mais vai ameaçar um cidadão norte-americanos ou alguém da Venezuela”, disse, acrescentando que o governo Maduro esvaziou suas prisões e enviou “seus monstros do pior tipo, os mais violentos dos Estados Unidos para roubar vidas norte-americanas. Eles vieram de instituições de saúde mental, de hospícios e de prisões”.

Sequestro

Maduro e sua esposa foram levados aos Estados Unidos, segundo Trump, no U.S.S. Iwo Jima, um dos navios de guerra do país que têm patrulhado o Caribe. Horas antes da coletiva, o presidente norte-americano publicou na sua Truth Social uma imagem do presidente Maduro, com os dizeres: “Nicolas Maduro a bordo do USS Iwo Jima”.

Em entrevista à Fox News, logo após o ataque, ele afirmou ter acompanhado durante a madrugada todo o processo de prisão do presidente Maduro em uma operação realizada pela CIA e o FBI. Maduro e a esposa serão julgados no Distrito Sul de Nova York, em Manhattan. Em comunicado nas redes sociais, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que a primeira-dama Cilia Flores, que não foi incluída em acusações anteriores, também está sendo acusada.