Trump deu ultimato para Maduro renunciar e deixar Venezuela, diz jornal
Segundo Miami Herald, propostas discutidas no telefonema sofreram impasse, incluindo pedido de 'anistia global' ao governo venezuelano e novas eleições no país caribenho
Atualizada às 14h50, 02 de dezembro de 2025
Durante uma ligação telefônica realizada na semana passada, a Casa Branca ofereceu garantias de segurança ao presidente venezuelano Nicolás Maduro caso renuncie e “deixe o país agora”, de acordo com uma apuração publicada pelo jornal norte-americano Miami Herald neste domingo (30/11). Ao mencionar “fontes familiarizadas” com o assunto, o veículo destacou que “a mensagem dos EUA a Maduro foi direta”: que a “safe passage” (“passagem segura”, na tradução em português) seria garantida a ele, “à sua esposa Cilia Flores e ao seu filho somente se concordasse em renunciar imediatamente”.
A reportagem indicou que o telefonema foi “uma última tentativa de evitar um confronto direto” entre os dois países. No entanto, segundo uma fonte, três tópicos específicos entraram em um impasse: o primeiro, Maduro teria pedido “anistia global para quaisquer crimes que ele e seu grupo tivessem cometido”; o segundo, Caracas teria concordado na realização de novas eleições desde que a equipe de Maduro mantivesse o comando das Forças Armadas; e o terceiro, Washington teria insistido na renúncia imediata do líder venezuelano. As três questões entraram em discordância.
De acordo com o Miami Herald, a conversa foi mediada pelos governos do Brasil, do Catar e da Turquia.
Na segunda-feira (01/12), a agência de notícias Reuters deu mais detalhes sobre o telefonema de 15 minutos. Segundo o veículo, que ouviu três fontes, Maduro teria manifestado ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump a disposição de deixar o país com a condição de que seus familiares tivessem anistia legal total, incluindo a remoção de todas as sanções norte-americanas contra a sua nação e o fim de um caso aberto pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Exigiu também a remoção das sanções para mais de 100 funcionários do governo venezuelano que enfrentam acusações de suposto tráfico de drogas e corrupção.
O líder de Caracas também pediu que a vice-presidente Delcy Rodriguez conduzisse um governo interino antes da realização de novas eleições, informou a Reuters. No entanto, o republicano rejeitou a maioria dos pedidos e alertou que Maduro tinha uma semana para deixar a Venezuela junto com seus familiares. A passagem teria expirado na última sexta-feira (28/11). No dia seguinte, Trump declarou o fechamento do espaço aéreo venezuelano.
Momentos antes da veiculação da reportagem do Miami Herald, no domingo, o presidente Trump declarou que tinha tido uma ligação telefônica com seu homólogo venezuelano. A declaração à imprensa confirmou a informação antecipada pelo jornal The New York Times (NYT) na sexta-feira (28/11), que escreveu que os mandatários haviam conversado na semana anterior. Na matéria, não havia detalhes sobre o teor da discussão, apenas que ele foi acompanhado por assessores de política internacional da Casa Branca, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio.

Presidente da Venezuela Nicolás Maduro faz juramento na sua posse de terceiro mandato
RS/Fotos Públicas
A conversa entre Maduro e Trump ocorre em meio a ameaças crescentes de que Washington está preparando uma fase mais assertiva de operações contra o chamado Cartel de los Soles da Venezuela, que os Estados Unidos alegam ser uma “quadrilha narcoterrorista” supostamente liderada pelo líder bolivariano e outros altos funcionários.
Por sua vez, Caracas afirma que o tal cartel é “uma organização que não existe”, inventada pelo país norte-americano para justificar as agressões no Mar do Caribe e as ameaças contra o seu governo.
No sábado (29/11), Trump determinou que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado “totalmente fechado”, prenunciando possíveis bombardeios contra alvos da gestão bolivariana. No mesmo dia, Caracas criticou “uma agressão grave, ilegal e parte de uma política de intimidação que viola princípios fundamentais do Direito Internacional”. Segundo o Miami Herald, na ocasião, “o governo Maduro tentou fazer outra ligação para Washington, mas não obteve resposta”.
























