Vaticano tentou negociar exílio de Maduro na Rússia, diz Washington Post
Jornal detalha tentativas recusadas pelo presidente venezuelano de sair do país, e de como Donald Trump foi convencido a apoiar governo interino de Delcy Rodríguez
Na véspera de Natal, o Vaticano tentou negociar com os Estados Unidos o exílio do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para a Rússia, para evitar o ataque norte-americano, ocorrido na madrugada de 3 de janeiro. A tentativa não foi a única recusada pelo mandatário da Venezuela.
É o que afirma reportagem do Washington Post, divulgada na última sexta-feira (09/01), com base em documentos governamentais e entrevistas com 20 pessoas próximas dos bastidores dos episódios que antecederam o ataque.
Com base nesses documentos, o veículo estadunidense informa que uma reunião entre o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, e Brian Burch, embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé, ocorreu na Cidade do Vaticano, após o cardeal tentar, durante dias, conversar com o secretário do Estado, Marco Rubio, evitando um banho de sangue no país.
Durante o encontro com o embaixador, o cardeal Parolin informou que a Rússia estaria disposta a conceder asilo a Maduro e pediu tempo para convencer o presidente venezuelano. “Foi proposto a [Maduro] que ele fosse embora e pudesse desfrutar do seu dinheiro”, afirmou uma fonte ao WP, acrescentando que “parte desse pedido era que [o presidente russo, Vladimir] Putin, garantisse a sua segurança”.
Maduro recusou a sair de Caracas, como faria em relação a todas as propostas neste sentido, incluindo uma da Turquia e de outros países. “Ele não aceitou o acordo”, disse outra fonte anônima citada pelo jornal. Segundo a reportagem, ele também teria recebido a proposta de um acordo final para deixar o poder, poucos dias antes da agressão norte-americana.

Vaticano tentou negociar exílio de Maduro na Rússia, diz Washington Post
Marcelo Camargo / Agência Brasil
Delcy Rodríguez
WP também reporta como os Estados Unidos aceitaram negociar com a atual presidente interina do país, Delcy Rodríguez, afirmando que o apoio foi uma “mudança drástica de posição por parte do presidente Donald Trump”, ao lembrar que a então vice-presidente de Maduro e seu irmão, Jorge Rodríguez, foram sancionados pela Casa Branca, durante o primeiro mandato do republicano.
WP afirma que “não há indícios de que Rodríguez estivesse ciente do plano dos EUA para depor Maduro” e que um alto funcionário da Casa Branca garantiu que o governo Trump não a informou de que ela seria cotada para substituir o presidente venezuelano, afinal, teria sido “extremamente perigoso comunicar qualquer coisa antes da operação”.
A mudança, segundo o alto funcionário da Casa Branca, teria contado com a interferência da CIA, cuja avaliação (publicada parcialmente pelo jornal) “concluiu que os apoiadores de Maduro teriam mais sucesso” em governar o país do que Maria Corina Machado, a líder da oposição golpista venezuelana.
Entre os mediadores internacionais, um ator que teria pesado na balança foi o Catar. Um funcionário do governo Biden, afirmou que o país “reconhecia que Delcy deveria governar o país antes de qualquer outra pessoa” no caso de uma deposição de Maduro.
O jornal estadunidense também ouviu uma fonte de Caracas, que mencionou que líderes empresariais venezuelanos apoiaram a nomeação de Rodríguez e que ela detém a confiança de membros da comunidade empresarial venezuelana. Foi uma lição “de que não é possível governar a Venezuela sem o chavismo”, afirmou.























