Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

A PDVSA, empresa estatal petrolífera da Venezuela, afirmou, nesta quarta-feira (17/12), que “as operações de exportação de petróleo bruto e derivados estão se desenvolvendo com normalidade”. O comunicado foi divulgado em resposta ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “bloqueio total e completo” a todos os navios petroleiros sancionados que entram e saem do território venezuelano.

A empresa diz, ainda, que suas embarcações seguem navegando com “pleno seguro, respaldo técnico e garantias operacionais”. Por fim, a PDVSA sustenta que cumpre seus compromissos comerciais em conformidade às leis marítimas internacionais e aos princípios da Carta da Organização das Nações Unidas.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

A mensagem publicada por Trump na noite de terça-feira (16/12) diz ainda que a Venezuela está cercada “pela maior Armada já reunida na história da América do Sul”.

A medida anunciada pelo norte-americano se soma a uma série de agressões contra o país governado por Nicolás Maduro. Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos havia anunciado o sequestro de um petroleiro perto da costa venezuelana. De acordo com Caracas, o navio carregava quase 2 milhões de barris de petróleo. Após o assalto, a Casa Branca anunciou a sanção de seis empresas de navegação que operam no setor petrolífero venezuelano.

Mais lidas

Pouco antes do anúncio do “bloqueio total”, na noite de terça, Maduro havia convocado uma manifestação de trabalhadores do setor petrolífero em defesa do direito ao livre comércio.

“A classe operária petrolífera, por meio da comissão constituinte internacional, deve proceder à defesa do direito à liberdade de comércio do principal produto de exportação, o petróleo venezuelano, em todos os cenários internacionais, em organismos multilaterais e sindicais”, disse o mandatário venezuelano.

O presidente do país caribenho fez um chamado internacional por uma “grande manifestação mundial permanente”. “A defesa da liberdade de comércio e da paz do Caribe e da Venezuela é a do mundo inteiro”, concluiu, durante uma declaração no Congresso Constituinte da Classe Operária, realizado em Caracas, horas antes.

Donald Trump anunciou bloqueio de petroleiros venezuelanos sancionados nesta terça-feira (16/12)
IkerAlex10/Wikicommons

Investidas contra o petróleo

Em seu comunicado publicado na rede Truth Social, Trump exigiu que a Venezuela devolva supostas riquezas roubadas dos Estados Unidos. “O choque para eles será como nada que jamais tenham visto antes – até que devolvam aos Estados Unidos da América todo o petróleo, as terras e outros ativos que anteriormente nos roubaram”, escreveu.

Por conta do suposto roubo — não especificado exatamente de que se trata — o mandatário estadunidense classificou o governo venezuelano como uma “organização terrorista estrangeira”.

Para Hernán Vargas, da coordenação política da Alba Movimientos, a classificação é mais um pretexto para justificar um ataque contra a Venezuela. “O rótulo de narcotráfico e terrorista serve, basicamente, para justificar um ataque militar completo contra a Venezuela, apesar de que a população dos Estados Unidos, em sua maioria, é contra uma ação militar”, aponta.

Uma pesquisa CBS News/YouGov, divulgada no fim de novembro, indicou que 70% dos estadunidenses se opõem a uma ação militar dos EUA na Venezuela.

Vargas também afirma que o bloqueio dos navios petroleiros anunciado por Trump revela a verdadeira intenção das investidas de Washington sobre Caracas.

“É um comunicado que diz, com mais clareza, quais são os posicionamentos dos Estados Unidos, sem tentar disfarçá-los. Se trata daquela ideia da Doutrina Monroe de que a América lhes pertence, o continente lhes pertence. Ele está dizendo que o petróleo venezuelano pertence aos EUA e que os anos em que a Venezuela fez uso soberano de seus recursos são anos em que os EUA foram roubados”, diz Vargas.

Para o doutor em geopolítica petroleira Miguel Jaimes, ainda é cedo para saber quais serão os impactos da medida anunciada por Trump no mercado petrolífero, uma vez que nem todas as embarcações petroleiras que operam na Venezuela estão sancionadas pelos EUA. Ainda assim, ele acredita em uma alta do preço do barril de petróleo a nível mundial, atualmente com valores na casa dos 60 dólares.

“Essa decisão apressada e acalorada contra a Venezuela aumenta significativamente o preço do petróleo. Os Estados Unidos estão dispostos a arcar — e a carregar o mundo nas costas — com preços do petróleo que superem os três dígitos? A Europa está disposta a pagar preços tão elevados pelo gás e pelo petróleo?”, questiona.

Jaimes entende, ainda, que a Venezuela não será impactada pela alta dos preços, já que é um país produtor e detém a maior reserva de petróleo do mundo. “A Venezuela não vai ter esse problema porque é um país produtor de petróleo. Vamos ver que cenários se apresentam. O que é certo é que a decisão acalorada dos Estados Unidos não vai fechar o país”, afirma.