Terça-feira, 9 de dezembro de 2025
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O governo venezuelano autorizou a retomada dos voos de repatriação de seus cidadãos dos Estados Unidos. A Autoridade de Aviação Civil da Venezuela anunciou nesta terça-feira (02/12) que, por instruções do presidente Nicolás Maduro, concedeu uma autorização humanitária à companhia aérea americana Eastern Airlines LLC para operar voos semanais entre Phoenix, Arizona, e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, Venezuela.

A medida permite o retorno do voo EAL8280/8281, operado com aeronave B777-200, às quartas e sextas-feiras, restabelecendo assim a programação anterior à suspensão ilegal e unilateral anunciada por Donald Trump no sábado (29/11). Através da sua rede social, Truth Social, Trump declarou o fechamento do espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela, alegando razões relacionadas ao combate ao narcotráfico, e suspendeu unilateralmente os voos de repatriação.

A autorização venezuelana, emitida “em conformidade com as leis da República Bolivariana da Venezuela e as leis internacionais da aviação civil”, faz parte do programa governamental Plano Vuelta a la Patria (Plano de Retorno à Pátria).

A organização Gran Misión Vuelta a La Patria descreveu a suspensão inicial de Trump como uma medida “unilateral” e “lamentável” que “mina o espírito de cooperação” e deixa os venezuelanos que buscam retornar em “incerteza e insegurança”. O programa enfatiza que esses voos representam uma “rota humanitária e segura” para cidadãos que, segundo eles, enfrentam situações de vulnerabilidade e hostilidade ​​nos EUA.

A renovação da autorização ocorre em meio à crescente hostilidade de Washington em relação a Caracas. O anúncio do fechamento do espaço aéreo coincide com coincide com a escalada militar dos Estados Unidos na região, com o envio de um grupo de ataque liderado pelo porta-aviões Gerald R. Ford. O governo de Nicolás Maduro rejeita o argumento do narcotráfico e denuncia as ações dos EUA como uma “ameaça direta à soberania nacional” e uma manobra para forçar uma mudança de regime.

Apesar da retórica sobre o “fechamento” do espaço aéreo venezuelano, o tráfego aéreo comercial internacional para a Venezuela não cessou completamente. Companhias aéreas como a Copa Airlines, do Panamá, ajustaram suas operações para horários diurnos com “altos níveis de alerta”, mas continuam voando. A Rússia também confirmou que não suspenderá suas conexões aéreas com a Venezuela, e a companhia aérea estatal venezuelana Conviasa mantém seu voo regular entre São Petersburgo e Caracas.

A retomada dos voos de repatriação sugere a existência de canais de comunicação operacionais para questões específicas, mesmo com a escalada do confronto político e militar em outras frentes. Para centenas de famílias venezuelanas, essa decisão significa a reativação de uma ponte aérea vital.

(*) com teleSUR