Venezuela convoca mobilização popular internacional pela libertação de Maduro
Em pronunciamento difundido a nível global, líderes do PSUV denunciaram ‘barbárie fascista e sionista por trás de operação de guerra’ dos EUA
O governo da Venezuela convocou, nesta segunda-feira (05/01), uma mobilização popular internacional pela libertação do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, sequestrados pelos Estados Unidos em um ataque direto contra Caracas no último sábado (03/01).
Por meio de uma transmissão de vídeo organizada pelo Ministério das Relações Exteriores, na Assembleia Nacional do país, a deputada Blanca Gómez, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) denunciou a “ação criminosa” que tornou o mandatário e a primeira-dama “prisioneiros de uma guerra ilegal e não declarada”.
Gómez também falou que “o cenário de guerra” imposto pelos EUA com o ataque e sequestro de Maduro é “muito semelhante ao da Segunda Guerra Mundial”, evidenciando “a barbárie fascista e sionista”.
“Essa mobilização militar brutal e desmedida se traduziu na madrugada do dia 3 em bombardeios e ataques com mísseis contra o povo venezuelano. O som do horror da morte que ouvimos durante dois anos sistematicamente sobre o povo palestino tornou-se novamente um horror sobre o céu de nossa pátria”, relatou.
Gómez classificou como “desculpa” a acusação de narcoterrorismo e roubo de petróleo dos EUA. “Nossa Constituição diz que todos os recursos sob a terra desta pátria pertencem ao Estado do povo venezuelano. Eles nunca poderão ser propriedade de nenhuma corporação estrangeira”, defendeu.
Segurando a Constituição venezuelana, a deputada do PSUV denunciou que o ataque foi “uma tentativa para impor um regime imperial e colonial e saquear o petróleo” do país. “Faremos a Venezuela e sua Constituição serem respeitadas até a última gota do nosso sangue, até o último suspiro”, declarou.
A congressista disse também que “a riqueza da Venezuela pertence ao povo e será para a paz no mundo, não para a guerra. Não para seus aviões, nem seus tanques, nem seus navios criminosos e genocidas”. “O petróleo será para a vida, não para encher os abutres que fizeram da guerra um negócio”, acrescentou.

Deputada do PSUV Blanca Gómez segurando Constituição da Venezuela
Captura de tela da transmissão de vídeo no Zoom do Minsitério das Relações Exteriores da Venezuela
Ao denunciar que a ação do governo Donald Trump “rompe todo o marco jurídico internacional e passa por cima de qualquer possibilidade de convivência e humanidade”, a deputada convocou “uma mobilização permanente, ativa e urgente pela libertação” de Maduro e Flores.
Segundo o governo venezuelano, o ataque dos EUA não é apenas contra a Venezuela, mas sim “uma tentativa de subjugar os povos do mundo inteiro, do sul global”. “Para nós, essa é uma prisão da dignidade dos povos e devemos nos movimentar, nos mobilizar e nos pronunciar em todo o mundo para que o presidente Nicolás Maduro seja libertado. Se isso está acontecendo hoje na Venezuela, irmãos e irmãs, acontecerá em todo o mundo”, declarou.
A deputada do PSUV também garantiu que os poderes venezuelanos seguem vigentes, com Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro, assumindo o cargo da Presidência, além de todos os deputados eleitos assumindo seus cargos, também na manhã desta quinta-feira (05/01).
“Hoje nossa Assembleia é instalada e todos os poderes continuam em vigor, incluindo o poder fundamental, que é o poder popular, que é o governo em todo o território nacional dentro do nosso modelo de democracia participativa e protagonista”, declarou a congressista.
A transmissão do governo venezuelano reuniu cerca de mil ativistas de todo o mundo. Opera Mundi registrou a participação de pessoas dos Estados Unidos, Itália, México, Equador, Cuba, Argentina, República Democrática do Congo, Senegal, Guatemala, Paraguai, Porto Rico, Austrália, Honduras, Portugal, Suíça, Guiné Bissau, Chile, Espanha, Angola, Índia, Venezuela, Colômbia, China, Costa Rica, Canadá, Noruega, Jamaica e Brasil.
Além dos governos, a população de diversos países está denunciando as ações norte-americanas contra a Venezuela e o sequestro de Maduro. No Brasil, foram registradas manifestações em Porto Alegre e Curitiba no último domingo (04/01). Já nesta segunda-feira (05/01) ocorrem mobilizações em frente aos Consulados dos EUA em São Paulo e Porto Alegre, além de manifestações no Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, São Luís e Belo Horizonte.
Nos próximos dias estão programados atos em Recife, na terça-feira (06/01), e em Fortaleza, na quinta-feira (08/01), todos convocados pela ALBA [Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América] Movimentos Brasil.























