Sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
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O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que o país está pronto para o combate após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que as operações terrestres contra os venezuelanos devem iniciar em breve.

“Neste ano de 2025 nós estamos prontos, dispostos a dar resposta a qualquer agressão contra o povo da Venezuela, contra sua soberania, contra sua integridade territorial, e a Aviação Militar Bolivariana sabe que tem de golpear duro, onde tiver de golpear, e vencer”, disse o chefe da pasta.

“Não cometam o erro de atacar a Venezuela (…) estamos dispostos a fazer qualquer coisa, a lutar, a morrer, mas nunca morreremos, vamos viver e vamos vencer”, acrescentou.

Padrino López também deu um recado aos governos da região que, em suas palavras, “se prestam ao jogo imperialista”.

“Digo a esses chefes de governo pararem de agir contra o sentimento de seus povos, os povos da América Latina e do Caribe não querem guerra, querem paz, desenvolvimento e emergir no novo mundo que está nascendo, de igualdade e respeito entre as nações”, afirmou. A declaração pode ter sido direcionada à República Dominicana que, na quarta-feira (26/11), autorizou o uso de seu principal aeroporto pelos Estados Unidos.

Nesta quinta-feira (27/11), Donald Trump, que utiliza o combate ao narcotráfico como justificativa para os ataques, afirmou que as ofensivas terrestres devem começar “muito em breve”.

“Detivemos quase 85% [das drogas] por mar e também começaremos a detê-los por terra. Por terra é mais fácil, mas isso começará muito em breve”, disse o republicano durante uma conferência online para os militares estadunidenses por ocasião do Dia de Ação de Graças.

O presidente agradeceu aos agentes de segurança que têm atuado na costa do Caribe, para onde já foram enviados oito navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões Gerald Ford, o maior do mundo.

Até o momento, as tropas dos Estados Unidos já mataram pelo menos 83 pessoas que supostamente trabalhavam para o narcotráfico. No entanto, a Casa Branca ainda não deu nenhuma garantia da relação entre os mortos e cartéis de drogas.

No início da semana, Washington incluiu o suposto Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos e classificou o presidente venezuelano como o chefe da organização, que enviaria drogas aos Estados Unidos. A Venezuela, por sua vez, diz que o Cartel é uma “invenção dos Estados Unidos” e acusa Donald Trump de forçar uma mudança de regime na região.

Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, rechaçou declarações de Trump
TeleSur

Republica Dominicana autoriza uso de aeroporto pelos EUA

Na quarta-feira (26/11), a República Dominicana autorizou os Estados Unidos a usarem seu principal aeroporto e uma base aérea para “operações de logística”. O presidente Luis Abinader fez o anúncio juntamente com o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, que foi ao país para negociar sobre a operação contra a Venezuela.

“Concordamos com os Estados Unidos em ampliar temporariamente a cooperação para reforçar a vigilância aérea e marítima contra o narcotráfico”, declarou Abinader, após se reunir com Hegseth.

O mandatário também disse que “nesse contexto, anuncio ao país que autorizamos os Estados Unidos, por um prazo limitado, a usar espaços restritos na base aérea de San Isidro e no Aeroporto Internacional Las Américas para a operação logística de aviões de reabastecimento de combustível, transporte de equipamentos e pessoal técnico”.

Risco para outros países da América do Sul

Após a ameaça de ofensiva terrestre de Donald Trump, a Frente Nacional para a Defesa dos Direitos Econômicos e Sociais do Panamá (Frenadeso) alertou que a escalada do conflito na região pode atingir, além da Venezuela, a Colômbia, o México e outros países da América do Sul.

Em uma carta enviada ao Ministério das Relações Exteriores do Panamá, a entidade afirmou que os ataques estadunidenses podem ser caracterizados como crimes contra a humanidade que violam o direito internacional, os direitos humanos e as convenções internacionais sobre a coexistência pacífica entre as nações.

A organização disse que os Estados Unidos recorrem a um cartel que julga inexistente, o “fictício ‘Cartel de los Soles’” para “justificar um potencial ataque contra a Venezuela e, posteriormente, contra a Colômbia, o México e outros países”.

Trata-se de uma “manobra recorrente usada pelas administrações [norte]americanas desde 1990, que Trump emprega para incriminar o governo bolivariano como um narcoestado, mesmo que a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha declarado que o país não desempenha um papel significativo no tráfico internacional de drogas”, acrescentou Frenadeso.