Venezuela e Congresso dos EUA investigam em separado possível crime de guerra no Caribe
Caso envolve ataque contra náufragos após barco ser destruído por primeiro míssil; ofensiva teria sido ordenada por secretário de Defesa, Pete Hegseth, segundo jornal
Congressistas republicanos e democratas dos Estados Unidos e parlamentares da Venezuela anunciaram, neste fim de semana, investigações separadas em torno de um possível crime de guerra cometido pelo governo Trump em sua ofensiva contra as embarcações no Caribe.
Reportagem do Washington Post, publicada neste sábado (29/11), com base em relato de sete pessoas com conhecimento das operações no Caribe, revela dados sobre um ataque adicional, ordenado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, para matar sobreviventes na água, após a primeira investida de um míssil contra a embarcação no Caribe, em 2 de setembro.
“Enquanto dois homens se agarravam a um navio em chamas e atingido, alvo do SEAL Team 6, o comandante das Operações Especiais Conjuntas, cumpriu a ordem do secretário de defesa de não deixar sobreviventes”, diz a reportagem. Hegseth nega as informações.
Ouvido pelo jornal, Todd Huntley, ex-advogado militar, que assessorou as Forças de Operações Especiais por sete anos, afirma que mesmo que os EUA estivessem em guerra com os traficantes, a ordem para matar todos os ocupantes do barco, caso eles não pudessem mais lutar, “seria, em essência, uma ordem para não ter piedade, o que seria um crime de guerra“.
The New York Times aponta que, frente às revelações, os congressistas norte-americanos comentaram a possibilidade de ter havido um crime de guerra durante a ofensiva. “Obviamente, se isso ocorreu, seria algo muito sério, e concordo que seria um ato ilegal”, afirmou o deputado republicano Mike Turner, ex-presidente do Comitê de Inteligência, em entrevista à CBS.
Na mesma emissora, o senador democrata Tim Kaine afirmou que, caso o relato seja preciso, o ataque “atinge o nível de crime de guerra”. Já o senador democrata Mark Kelly, questionado pela CNN se um segundo ataque para matar sobreviventes configuraria crime de guerra, respondeu: “parece que sim.”
Investigação nos EUA
Na última sexta-feira (28/11), o senador republicano Roger Wicker, presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, e o democrata Jack Reed, enviaram pedidos de esclarecimento ao Departamento de Defesa. “Conduziremos uma supervisão rigorosa para determinar os fatos relacionados a essas circunstâncias”, afirmaram.
Segundo The New York Times, a Câmara seguiu a mesma linha neste sábado. Em comunicado conjunto, o republicano Mike Rogers, presidente do comitê, e o democrata Adam Smith disseram estar “comprometidos com uma supervisão rigorosa” sobre os ataques, acrescentando que estão “tomando medidas bipartidárias para obter um relato completo da operação em questão”.
NYT ressalta que as investigações conduzidas pelas Comissões de Serviços Armados da Câmara e do Senado norte-americano representam “o escrutínio mais rigoroso até o momento pelo Congresso” sobre a ofensiva militar do governo Trump, “realizada sem a aprovação ou consulta do Congresso”.

Venezuela e Congresso dos EUA investigam em separado possível crime de guerra no Caribe
Reprodução vídeo / @SecWar
Investigação em Caracas
Neste domingo, informa a TeleSur, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela (AN), Jorge Rodríguez, anunciou uma sessão extraordinária nesta segunda-feira (01/12), para formar uma comissão especial de investigação em torno do caso.
Ele considerou significativo o interesse do Congresso dos EUA em investigar os eventos. E afirmou que as ações no Mar do Caribe “são claramente ilegais, ilegítimas e violam o direito internacional humanitário, a Carta das Nações Unidas, a Carta dos Direitos Humanos, as leis de navegação e as leis da guerra”.
Rodríguez enfatizou que a ação também viola o Protocolo de 1977 que, em seu Artigo 41 especifica que “nenhuma pessoa deve ser alvo de ataque quando for reconhecido – ou as circunstâncias exigirem que seja reconhecido – que ela está fora de combate”. Uma pessoa fora de combate é definida como ferida, desarmada e, neste caso, náufraga, explica a reportagem.























