Venezuela rompe acordo com Trinidad e Tobago por ajudar EUA no sequestro de petroleiro
Caracas declarou ter 'pleno conhecimento' da participação do governo trinitário no roubo do navio carregado de petróleo em 10 de dezembro
O governo da Venezuela anunciou nesta segunda-feira (15/12) a rescisão imediata de todas as relações contratuais ligadas ao fornecimento de gás natural a Trinidad e Tobago ao denunciar sua cumplicidade com os Estados Unidos no sequestro do petroleiro venezuelano. Na última quarta-feira (10/12), o presidente norte-americano Donald Trump confirmou a apreensão do navio no litoral da Venezuela.
Em um comunicado, Caracas informa ter tido “pleno conhecimento” da participação do governo trinitário no “assalto de um navio que transportava este produto estratégico da Venezuela”. O sequestro foi anteriormente descrito pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro como um ato de “pirataria naval criminosa no Caribe”. A gestão bolivariana, em sua nota, menciona “uma grave violação do direito internacional”.
“Este ato de pirataria constitui uma grave violação do direito internacional e uma franca transgressão aos princípios de livre navegação e de comércio”, diz.
O documento aponta diretamente para a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, a quem acusa de manter uma agenda hostil contra a Venezuela desde sua chegada ao governo, incluindo a instalação de radares militares norte-americanos em território trinitário com o objetivo de sitiar e interceptar navios que transportam petróleo venezuelano.
A nota afirma que tais ações teriam transformado Trinidad e Tobago em uma plataforma militar avançada dos Estados Unidos no Caribe, usada para atacar a Venezuela e facilitar operações de saque de seus recursos energéticos.

Venezuela anunciou rescisão imediata de relações contratuais ligadas ao fornecimento de gás natural a Trinidad e Tobago
RS/Fotos Públicas
Em outubro, a primeira-ministra Persad-Bissessar também foi repudiada por Caracas de transformar o território caribenho “em uma base militar subordinada aos interesses hegemônicos dos Estados Unidos”. Na ocasião, Trinidad e Tobago foi acusado de colaborar com os Estados Unidos em uma operação de bandeira falsa, que incluiria um ataque ao navio contratorpedeiro USS Gravely, da Marinha norte-americana, atracado no país caribenho, com o objetivo de incriminar o governo Maduro.
Por fim, Caracas reafirma a defesa da soberania nacional, destacando que não permitirá que nenhuma entidade colonial ou seus aliados ataquem sua nação, seu direito ao desenvolvimento e o controle de seus recursos estratégicos.
Vale ressaltar que, antes do anúncio venezuelano, o Ministério das Relações Exteriores de Trinidad e Tobago havia publicado a autorização do trânsito de aeronaves militares dos Estados Unidos em seus aeroportos pelas próximas semanas. Em nota, o governo local declarou comprometimento na cooperação com Washington em questões de segurança regional.
(*) Com Telesur
























