Contra ataques de Israel, Papa Leão 14 'implora por paz' no Líbano
Em Beirute, líder xiita libanês apelou para que pontífice acione 'capacidade internacional' e liberte país de 'crises acumuladas, a começar pela agressão israelense'
O Papa Leão 14, que cumpre sua primeira agenda de viagens internacionais, voltou a apelar nesta segunda-feira (01/12) pela paz no Oriente Médio e, em especial, no Líbano durante a sua passagem ao país. Às vésperas do acordo de cessar-fogo na região – assinado em 26 de novembro de 2024 – completar um ano, Israel violou o tratado e seguiu bombardeando Beirute. Para o pontífice, “não há paz sem conversão dos corações”.
“Para o mundo, pedimos paz. Imploramos especialmente para o Líbano e para todo o Oriente Médio”, disse o pontífice durante sua visita ao mosteiro de Annaya, nas montanhas ao norte de Beirute, onde está localizado o túmulo do santo eremita Charbel Makhlouf, canonizado em 1977 e reconhecido por unir cristãos, muçulmanos e drusos.
“Hoje, desejamos confiar à intercessão de São Charbel as necessidades da Igreja, do Líbano e do mundo”, acrescentou o Papa, pedindo comunhão e unidade a partir “das famílias, pequenas igrejas domésticas, passando pelas comunidades paroquiais e diocesanas, até chegar a Igreja universal”.
Durante um encontro inter-religioso com o Papa em Beirute, o vice-presidente do Supremo Conselho Islâmico Xiita, xeque Ali al-Khatib, fez um apelo para que o pontífice ajude o país a se libertar das agressões israelenses.
“Colocamos a questão do Líbano nas suas mãos, com todas as suas capacidades em nível internacional, a fim de que o mundo possa ajudar nosso país a se libertar das crises acumuladas, a começar pela agressão israelense e suas consequências em nosso país e nosso povo”, afirmou a autoridade xiita. “Estamos convencidos da necessidade da existência do Estado, mas, em sua ausência, fomos obrigados a nos defender, resistindo ao ocupante que invadiu nossa terra. Não somos amantes das armas nem do sacrifício de nossos filhos”.

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Em outro momento, Leão 14 visitou o Santuário de Nossa Senhora do Líbano, em Harissa, onde foi recebido por cerca de duas mil pessoas. Por lá, o pontífice destacou temas religiosos e, em especial, a união entre os povos, mencionando a necessidade de perseverança espiritual em meio ao sofrimento.
“A oração é a ponte invisível que une os corações e nos dá força para continuar esperando e trabalhando, mesmo quando o som das armas troveja ao nosso redor”, ressaltou. “Se quisermos construir a paz, ancoremo-nos no céu.”
O Papa ainda aproveitou o momento para condenar a exploração da vulnerabilidade dos jovens em tempos de crise. “Somos traídos por pessoas e organizações que especulam sem escrúpulos sobre o desespero daqueles que não têm alternativa”, alertou, pedindo maior protagonismo juvenil nas estruturas eclesiais e na reconstrução social do país
(*) Com Ansa























