Ludmilla Balduíno: Como você sonha em continuar a sua história?

Sonhos são valiosos e só vamos sair desse caos chamado retrocesso se sonharmos alto

Ludmilla Balduino

Goiânia (Brasil)

Já escrevi aqui que a sua família é a humanidade inteira. Sem papo tilelê, se você preferir: cientificamente, viemos do mesmo parentesco em comum. Aquilo que Charles Darwin nomeou “evolução das espécies”, e que eu gosto de chamar de “viemos da mesma ameba”. Somos todos primos-irmãos. Também somos mães-avós-tias e tudo quanto é tipo de complexidade parental que a humanidade (e suas sociedades, ao longo da história, a todo momento) inventa.

Certo. Resolvi retomar este tema porque ele é urgente e enquanto o mundo inteiro não entender a força dessa nova maneira de pensar, daqui eu não saio, daqui eu não me movo.

Enquanto daqui eu não saio, vou contar pra vocês um pouco da minha história:


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Tenho três sobrenomes. O que mais uso é o Balduino. Mas quero começar falando do Bernardes. Minha família Bernardes é de Goiás. Uma família tão antiga que não conhecemos a nossa origem exata. O que nós sabemos é que viemos de uma longa história de gerações que nasceram e morreram em Goiás. Na cidade de Goiás, especificamente. Uma das cidades mais antigas do estado, foi fundada pelo filho do Anhanguera (ele mesmo, o nome da rodovia) e tornou-se capital de Goiás, até Pedro Ludovico Teixeira virar o jogo e, numa manobra bem-sucedida de minimizar os impactos do coronelismo na região, fundou Goiânia (onde nasci).

Goiás, que a gente chama de Goiás Velho, e minha avó Dorivan chamava de Goiás Belo, é uma das cidades mais bem-preservadas do estado, graças ao título de Patrimônio Mundial da Humanidade, concedido pela Unesco em 2001, época em que pouquíssimas cidades brasileiras detinham o título. Paraty (RJ), cidade muito mais conhecida, por exemplo, ganhou o título só no ano passado.

A cidade de Goiás tem dessas coisas. Quer dizer, tinha. As coisas boas estão sendo desmontadas lentamente porque o coronelismo voltou, de uma maneira muito mais sorrateira e muito mais sutil, muito mais capitalista e muito mais liberal (no sentido de patriarcal-liberal-econômico) a dominar aquela região. 

Meu outro sobrenome é Alvarenga. Quase não sei nada sobre a família Alvarenga. Uma separação traumática resultou nesse afastamento. O que sei é que, do meu avô Santecler, há vontade de fazer, de acontecer. De querer botar a mão na massa. De sair por aí puxando amizades e abrindo negócios. De criar oportunidades onde aparentemente só existe o caos. De estar sempre limpo e andar de cabeça erguida. Mesmo se houver julgamentos sociais. Meu avô era uma pessoa elegante, discreta e feliz.

E tem o Balduino. Família que também tem origens nebulosas. Interessante essa palavra. Na linguagem científica da astronomia, “nebulosa” é um aglomerado de gás e poeira cósmica e ali, em um ambiente de muita energia e muita força, essa matéria toda se funde e dessa fusão nascem as estrelas.

No fim das contas, todos temos origens nebulosas.

Pense nisso. Somos todos feitos da mesma coisa. Os cientistas dizem: somos feitos de estrelas. Isso é bom ou ruim? Não importa. O importante é saber como você está vivendo hoje para melhorar a história da sua família. Sem cobranças, sem ansiedade, sem stress. Cada um segue num ritmo.

Apenas você tem o direito de construir a sua própria história. E como você está lidando com essa responsabilidade?

Respire com consciência. Feliz 2020.

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