Feira em São Paulo reúne culinária, artesanato, música e dança típicas do leste europeu

Organizada pela Amoviza, associação também trabalha com a Prefeitura pela tematização do bairro VIla Zelina, como na Liberdade e no Bexiga

Camila Alvarenga e Dodô Calixto

“Segredos da ex-URSS! Conheça o Kváss!!!”: este é o anúncio pregado na barraca de Rogerio Sventkauskas, filho de lituanos e um dos tantos vendedores da Feira do Leste Europeu. Ele produz e vende Kváss, uma bebida feita a partir da fermentação do pão preto.

Marcos Leal/FlickrCC

As matrioshkas são um dos itens vendidos na Feira do Leste Europeu

Além do Kváss, os frequentadores da Feira do Leste Europeu, evento que acontece mensalmente próximo ao Parque Ecológico da Vila Prudente - em São Paulo -, também podem encontrar sardinhas com cebola em conserva (aperitivo tipicamente russo), cachliks (espetinhos de carne húngaros), e a tradicional torta de maçã verde ucraniana.

Passeando pela feira também é possível encontrar porcelanas com decorações típicas da Ucrânia, couro com arte romena e as famosas matrioshkas, as bonequinhas russas.

São 14 comunidades de descendentes ou imigrantes do leste europeu que se juntam para realizar a feira. Todos os produtos são feitos pelos próprios vendedores, que aprenderam a fazê-los baseado na herança cultural que receberam de seus pais e avós. O mesmo vale para os músicos e dançarinos que se apresentam no palco.

“Eu sou neto de russos, eles me ensinaram culinária, cultura, um pouquinho de russo. Mas na verdade nem lembro como eu aprendi a dançar, eu danço desde pequenininho, acho que já está no sangue”, contou Boris Gers Dimitrov, estudante de economia e dançarino do grupo Volga de Folclore Russo.

As comunidades que participam da feira representam Rússia, Ucrânia, Lituânia, Romênia, Polônia, Croácia, República Tcheca, Bulgária, Eslovênia, Hungria, Letônia, Eslováquia, Estônia e Bielorrússia.

Dodô Calixto

Cartaz "Segredos da ex-URSS! Conheça o Kváss!!!"

'Tematizar' o bairro

O evento é organizado pela Amoviza (Associação de moradores e comerciantes do bairro de Vila Zelina), que também atende às demandas dos moradores do bairro. Segundo Victor Gers Junior, engenheiro e diretor sociocultural da Amoviza, a associação vem tentando, junto da Prefeitura, realizar obras para 'tematizar' o bairro, semelhante ao que foi feito na Liberdade e no Bexiga, por exemplo.

“A gente começou a fazer eventos em locais vamos dizer assim que tinham uma certa predominância de uma certa religião e a gente percebeu que não dava certo”, falou Victor. Segundo ele, existem 6 ou 7 religiões diferentes de origem leste europeia que foram trazidas pelos imigrantes para o Brasil e que compõem a identidade da comunidade. “A gente percebeu que a rua é o melhor local, é público, é aberto e conseguimos congregar todas essas comunidades, religiões e hoje são parceiros nossos que ajudam na divulgação e preservação dessa cultura”.

Dodô Calixto

Projeto organizado pela Amoviza que pretende dar contornos do Leste Europeu ao bairro da Vila Zelina

De acordo com ele, a feira vem crescendo significativamente e se fazendo cada vez mais conhecida. Para Victor é importante disseminar essa cultura, principalmente entre as gerações mais jovens para evitar ao máximo que ela se perca. Mas ressalta, “Eu acho que no Brasil, infelizmente, a gente [imigrantes] não tem o apoio cultural que deveria ter. Ainda existem hoje resquícios de bairrismos e intolerância étnica, que o pessoal chama de xenofobia”.

FEIRA DO LESTE EUROPEU
Quando? Domingo (15/11)
Quanto? Entrada Gratuita
Onde? Rua Aracati Mirim, Jardim Avelino (próx. à estação Vila Prudente do metrô)

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