‘A Voz de Hind Rajab’: filme sobre assassinato de criança em Gaza é indicado ao Oscar
Obra da diretora franco-tunisiana concorre como Melhor Filme Estrangeiro e retrata história do brutal assassinato cometido por Israel em 29 de janeiro de 2024
A Voz de Hind Rajab (The Voice of Hind Rajab), filme produzido na Tunísia sobre a história real de uma menina palestina brutalmente assassinada pelo Exército Israelense enquanto tentava fugir da Cidade de Gaza, foi nomeado, nesta quinta-feira (22/01), para concorrer como Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2026.
Dirigo pela franco-tunisiana Kaouther Ben Hania, o longa conta a luta palestina em meio ao genocídio perpetrado por Israel por meio da história de Hind Rajab. Em 29 de janeiro de 2024, sua família tentava fugir com seu carro durante uma evacuação ordenada pelas forças israelenses, quando foram atacados.
Por meio das redes sociais, Hania afirmou que a nomeação pertence a Hind. “Para sua voz e para o que nunca deveria ter acontecido, mas ainda assim aconteceu”, acrescentou.
“Entre esses belos filmes de todo o mundo, estou profundamente honrada que a voz de Hind esteja lá. Não como um símbolo. Como história. Obrigado à Academia por ouvir. E a todos vocês que carregaram este filme, compartilharam, defenderam e sentiram. Nós continuamos”, declarou.
A diretora ainda dedicou a noemação à Tunísia, “cujo cinema continua a existir, resistir e falar mesmo quando é desconfortável”. Hania também foi a primeira diretora a representar seu país no Oscar, em 2021.
Ovacionado por 23 minutos
Em setembro passado, A Voz de Hind Rajab foi ovacionado por 23 minutos após sua estreia no Festival de Cinema de Veneza. Os aplausos vieram acompanhados de lágrimas, bandeiras palestinas e gritos como “Palestina livre”, abrindo caminho para seu reconhecimento para a indicação de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2026.
Na ocasião, a atriz palestina baseada no Jordão Saja Kilani, que faz parte do filme, exigiu o fim dos “assassinatos em massa, fome, desumanização, destruição, ocupação contínua”. “Este filme não é uma opinião ou uma fantasia. É baseado na verdade. A história de Hind carrega o peso de todo um povo”, acrescentou.
Segundo Hania, o envolvimento de nomes como Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Rooney Mara, Jonathan Glazer e Alfonso Cuarón na obra, deu “voz e rosto” às vítimas do genocídio que Israel promove na Faixa de Gaza.

A Voz de Hind Rajab foi ovacionado por 23 minutos após sua estreia no Festival de Cinema de Veneza
Kaouther Ben Hania/Instagram
O ataque brutal
Após o ataque inicial em 29 de janeiro de 2024, durante horas, Hind conseguiu manter contato com a equipe médica, implorando por socorro em uma ligação telefônica que se estendeu enquanto ela permanecia presa entre os corpos da tia, do tio e de três primos. Enquanto isso, os voluntários tentaramm, durante três horas, manter contato com ela e, principalmente, chamar uma ambulância, mas infelizmente, sem sucesso devido ao bloqueio israelense.
A obra usa o áudio real das ligações telefônicas que Rajab fez para a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino. Nas gravações, é possível ouvir a criança chorando, soluçando e clamando ao resgate: “Por favor, venham até mim, por favor, venham. Estou com medo”, enquanto tiros eram disparados ao fundo.
Após três horas de espera, os socorristas receberam autorização da ocupação israelense para enviar uma ambulância para o local onde a criança se encontrava. Contudo, o contato com ela foi cortado logo após a chegada dos socorristas. E, em um segundo ataque, tanto o veículo com os dois profissionais de resgate, Yusuf al-Zeino e Ahmed al-Madhoun — que estavam a caminho de Rajab — quanto a menina foram atingidos por tropas israelenses.
Os corpos das vítimas foram encontrados dias depois.
A Al Jazeera realizou uma investigação do ataque em junho de 2024, a partir da reconstrução detalhada da ofensiva, e revelou que “um tanque israelense estava a apenas entre 13 a 23 metros de distância quando abriu fogo contra o carro” da família.
O resultado corrobora com o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o caso. Segundo o documento, o veículo em que a criança estava foi alvejado de “uma distância muito curta usando um tipo de arma que só pode ser atribuída às forças israelenses”.
Uma organização de direitos humanos revelou a identidade do oficial israelense diretamente responsável pelo assassinato da criança palestina Hind Rajab, sua família e os dois médicos que tentaram salvá-la no bairro de Tel al-Hawa, na Cidade de Gaza, em 29 de janeiro de 2024.
Em maio passado, a Fundação Hind Rajab, ONG independente sediada em Bruxelas que leva o nome da menina palestina vítima da brutalidade israelense identificou o Tenente-coronel Beni Aharon, que atuava como como comandante da 401ª Brigada Blindada das IDF, como o responsável pela morte da criança e dos paramédicos do Crescente Vermelho.
Após a identificação, a fundação apresentou uma queixa de crimes de guerra ao Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia para emitir um mandado de prisão para o tenente-coronel.
O filme estreia no Brasil na próxima quinta-feira (29/01).
(*) Com Ansa, Brasil247, Middle East Monitor, informações da Al Jazeera e BBC News























