Artistas mexicanos repudiam exportação de obras de Frida Kahlo para Espanha
Em carta aberta direcionada ao governo de Sheinbaum, grupo de cerca de 400 personalidades questiona acordo com Banco Santander e alerta para riscos ao patrimônio cultural do país
Artistas, historiadores e intelectuais ligados à cultura do México assinaram uma carta aberta pedindo ao governo mexicano clareza sobre as obras, inclusive da artista Frida Kahlo, que serão enviadas à Espanha devido a partir de um acordo com o Banco Santander.
Cerca de 400 artistas pediram ao governo maior transparência sobre os termos do acordo e possíveis impactos para o patrimônio artístico nacional. A principal preocupação envolve as obras de Kahlo, declaradas pelo Estado mexicano como “monumento artístico”, o que lhes confere status especial de proteção.
A coleção Gelman, de 160 obras, foi nomeada como acervo Gelman Santander. Originalmente pertencente aos colecionadores Jacques e Natasha Gelman, reúne pinturas, esboços e fotografias que foram adquiridos pela família mexicana Zambrano em 2023.
A coleção está em exibição pública no México pela primeira vez em quase 20 anos. Porém, pelos termos do acordo com o Santander, seu retorno à Espanha está marcado para este verão, para tornar-se um dos destaques do novo centro cultural do banco, o Faro Santander.
Em janeiro, o acordo anunciado pelo Santander afirmou que a instituição seria “responsável pela conservação, pesquisa e exibição” da coleção. No entanto, o anúncio não especificou por quanto tempo as obras permaneceriam na Espanha, o que gerou preocupação.
Logo, a preocupação transformou-se em indignação, já que o diretor do Faro Santander, Daniel Vega Pérez de Arlucea, afirmou ao El País que a legislação que rege as obras é “flexível” e que a coleção terá grande destaque no novo centro cultural.

Diego na Minha Mente criada pela artista mexicana Frida Khahlo
Banco de México
As obras de Kahlo, consideradas “monumento artístico” em um decreto presidencial em 1984, determinam que só podem deixar o México por um tempo determinado e que o Instituto Nacional de Belas Artes e Literatura (Inbal) é responsável por “repatriar” obras mantidas em coleções particulares no exterior.
O historiador, um dos oito autores da carta aberta, Francisco Berzunza, afirmou que o “decreto foi especificamente concebido para impedir que coleções privadas fossem dispersas ou deixassem o país. É por isso que o estamos defendendo com tanta veemência.”
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou desejar que a “coleção permaneça em território mexicano”.
Já a ministra da Cultura, Claudia Curiel de Icaza, disse que “a coleção é mexicana; não foi vendida – está saindo apenas temporariamente”, afirmando que as obras de arte retornarão ao México em 2028.
Em resposta, o Santander emitiu um comunicado declarando que o acordo “não implica, em hipótese alguma, a aquisição da coleção ou sua remoção permanente do México” e que as obras “retornarão ao México ao final do período de exportação temporária”.
Segundo apuração do jornal The Guardian, o contrato entre as partes, embora seja temporário, prevê que o Faro Santander ficará responsável pela gestão da coleção “a qualquer momento” entre junho de 2026 e 30 de setembro de 2030, prazo que poderá ser prorrogado de comum acordo por meio da extensão do contrato.
























