Grande Otelo é homenageado em exposição e mostra de filmes
Exposição e mostra online celebram os 110 anos de Grande Otelo, artista multifacetado que marcou o cinema e a cultura brasileira com talento e inventividade
Grande Otelo, como era chamado Sebastião Bernardes de Souza Prata, escolheu o nome artístico pois adorava Shakespeare e queria ser o primeiro negro a encarnar Othelo. Ator, comediante, compositor, cantor e poeta, Grande Otelo deixou uma marca no cinema e na cultura brasileira e recebe agora uma Ocupação no Itaú Cultural e uma mostra de filmes online para celebrar os 110 anos de seu nascimento.
Entre os dias 6 de dezembro de 2025 e 8 de março de 2026, o público tem a oportunidade de conhecer mais sobre sua vida e obra na 71ª Ocupação do Itaú Cultural, que celebra o artista em sua potência multitalentosa, complexa, questionadora e profundamente negra. A exposição em São Paulo reúne mais de 160 peças, entre fotografias, vídeos e documentos, com rascunhos de seus poemas, textos completos, roteiros, partituras, cartas e prêmios.
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Grande Othelo jovem.
(Imagem: Acervo Funarte/Centro de Documentação e Pesquisa)
A Ocupação revela sua trajetória multifacetada, que começa ainda criança no circo e passa em seguida pelo teatro de revista, o rádio, o cinema e a televisão. Um destaque é dado para sua prática artística menos conhecida, a poesia, que está disponível em formato de coletânea em um catálogo online. Seus versos trazem homenagens para figuras como Vinicius de Moraes e Luiz Gonzaga, mencionam filmes, como Pixote, a lei do mais fraco (1981), de Hector Babenco, e trazem lembranças de seu estado de nascimento, Minas Gerais. Além dos poemas, a publicação traz textos sobre o racismo na cobertura jornalística do trabalho de Grande Otelo, sobre a importância do artista para o cinema brasileiro e para as representações negras nas telas e sobre seu legado.
A carreira de Grande Othelo pode ser ainda revisitada em uma mostra online e gratuita na plataforma Itaú Cultural Play, com sete obras estreladas pelo ator. A seleção apresenta um panorama representativo de diversos momentos de sua trajetória no cinema, que perpassa grandes projetos e movimentos, como as chanchadas, com Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle, o cinema novo, com Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, e Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos, e o cinema marginal, com Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), de Hector Babenco. Destaque para Também somos irmãos (1949), de José Carlos Burle, clássico da Atlântida Cinematográfica com elenco formado no Teatro Experimental do Negro e considerado um filme precursor ao tratar do racismo no Brasil.
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As obras disponíveis revelam o talento de Grande Otelo que, mesmo trabalhando com diferentes gêneros cinematográficos, conseguiu criar um estilo próprio de mise-en-scene, com traços recorrentes e autonomia de sua performance, tornando-se um ator-autor. Com técnicas corporais e força expressiva, superou estereótipos em uma trajetória artística que abriu caminhos para mudanças na participação e nas representações do negro ao longo da historia do cinema brasileiro. Com as várias frentes de programação, a Ocupação Grande Othelo evidencia, portanto, o percurso artístico e o legado de uma das trajetórias mais marcantes da cultura brasileira.
Serviço
Exposição:
Local: Itaú Cultural – Av. Paulista, 149
Horário: Terça a sábado, das 11h às 20h; domingos, das 11h às 19h
Em cartaz até: 8 de março
Mostra:
Itaú Cultural Play – https://assista.itauculturalplay.com.br/
Catálogo:
Issuu – https://issuu.com/itaucultural/docs/ocupa_o_grande_othelo























