‘O Agente Secreto’ é indicado ao Oscar 2026 em quatro categorias
Obra de Kleber Mendonça Filho concorre em Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco; Wagner Moura está no prêmio de Melhor Ator
Atualização às 11h30
A Acadêmia de Cinema de Hollywood divulgou nesta quinta-feira (22/01) os indicados ao Oscar 2026, a maior premiação da sétima arte nos Estados Unidos. Entre os muitos candidatos anunciados, se destaca o filme brasileiro O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que foi nominado em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura, que se tornou o primeiro ator brasileiro na categoria.
Na categoria de Melhor Filme, o longa concorrerá contra Bugonia , F1, Frankenstein, Hamnet, Marty Supreme, Uma Batalha Após a Outra, Valor Sentimental, Pecadores e Sonhos de Trem.
Já na categoria de Melhor Filme Internacional, o representante nacional concorrerá contra Foi Apenas um Acidente (França), Valor Sentimental (Noruega), Sirat (Espanha) e A Voz de Hind Rajab (Tunísia).
A estatueta de Melhor Ator será disputada por Wagner Moura contra Timothée Chalamet (Marty Supreme), Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra), Ethan Hawke (Blue Moon) e Michael B. Jordan (Pecadores).
E a premiação de Melhor Elenco será disputada por O Agente Secreto (Gabriel Domingues), Hamnet (Nina Gold), Marty Supreme (Jennifer Venditti), Uma Batalha Após a Outra (Cassandra Kulukundis) e Pecadores (Francine Maisler).
A cerimônia de entrega dos prêmios Oscar 2026 acontecerá no dia 15 de março.
Além da nomeação de O Agente Secreto, o Brasil também foi representado pela nomeação do diretor de fotografia Adolpho Veloso na obra Sonhos de Trem.
Prêmios anteriores
Somente este ano, O Agente Secreto já venceu prêmios no Critics Choice Awards, na categoria de Melhor Filme em Idioma Não Inglês, e no Globo de Ouro, onde fatou as estatuetas de Melhor Filme Internacional e de Melhor Ator de Drama, pela performance de Wagner Moura.
Em 2025, o filme colecionou dezenas de prêmios, em diversos festivais mundo afora, com destaque para o Festival de Cannes, o mais importante da França, onde a obra foi agraciada nas categorias de Melhor Ator, para Wagner Moura, e Melhor Direção, para Kleber Mendonça Filho.
Antecedentes do Brasil no Oscar
Na categoria de Melhor Filme Internacional, o Brasil poderá conseguir sua segunda estatueta consecutiva. Caso O Agente Secreto vença a disputa, repetirá a façanha de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que se tornou, em 2025, o primeiro filme brasileiro a vencer uma categoria no Oscar.
Ademais, o filme foi protagonizado por Fernanda Torres, que disputou, mas não venceu, o prêmio de Melhor Atriz, que ficou com Mikey Madison, por Anora.

Wagner Moura e Tânia Maria, em cena de ‘O Agente Secreto’
Victor Jucá / Divulgação
Antes disso, cinema brasileiro esteve outras cinco vezes na briga pelo prêmio de Melhor Filme Internacional – na época em que a categoria se chamava Melhor Filme em Idioma Estrangeiro (ou seja, não inglês).
A primeira disputa foi em 1960, com Orfeu Negro, e terminou com vitória. Porém, como se tratava de uma co-produção entre Brasil, França e Itália, com um diretor francês (Marcel Camus), a Academia de Hollywood registra oficialmente a premiação como uma vitória francesa, mesmo se tratando de uma história totalmente baseada na peça teatral Orfeu da Conceição, do poeta e compositor brasileiro Vinícius de Moraes.
Há uma ressalva para o caso de O Beijo da Mulher Aranha, co-produção brasileira-estadunidense dirigida pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco e co-protagonizada pela atriz brasileira Sônia Braga, que disputou o Oscar na categoria principal, de Melhor Filme, em 1986 – foi derrotada pelo longa Entre Dois Amores, dirigido por Sydney Pollack e estrelado por Robert Redford e Maryl Streep.
Como era falado majoritariamente em português, o filme não disputou a categoria de Melhor Filme em Idioma Estrangeiro, que foi dado ao argentino A História Oficial, de Luis Puenzo.
Babenco também disputou a categoria de Melhor Diretor, mas foi derrotado por Sydney Pollack, por Entre Dois Amores. A única estatueta conquistada por aquela obra foi na categoria de Melhor Ator, que ficou com o estadunidense William Hurt.
Os outros casos de brasileiros disputando o Oscar foram: O Pagador de Promessas (1963, perdeu contra o francês Les dimanches de Ville d’Avray), O Quatrilho (1996, perdeu contra o neerlandês Antonia), O Que é Isso, Companheiro? (1998, perdeu contra o também neerlandês Caráter) e Central do Brasil (1999, perdeu contra o italiano A Vida é Bela).
No caso de Central do Brasil – outro longa dirigido por Walter Salles –, houve uma indicação para a categoria de Melhor Atriz, para Fernanda Montenegro, no papel da protagonista Dora. Ela perdeu a disputa contra a norte-americana Gwyneth Paltrow, por Sheakspeare Apaixonado. Vale lembrar que Montenegro também faz uma participação em Ainda Estou Aqui.
Em 2004, o longa Cidade de Deus concorreu em quatro categorias do Oscar: Melhor Diretor (Fernando Meirelles, perdeu para Peter Jackson por O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei), Melhor Fotografia (César Charlone, perdeu para Russell Boyd, por Mestre dos Mares), Melhor Edição (Daniel Rezende, perdeu para Jamie Selkirk, por O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei) e Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani, perdeu para Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens por O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei).
Os últimos longas brasileiros a concorrerem em categorias do Oscar foram O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, que disputou a categoria Melhor Animação na edição de 2016 (perdeu para Divertidamente), e Democracia em Vertigem, de Petra Costa, que foi indicado a Melhor Documentário em 2020 (perdeu para American Factory).























