‘O Agente Secreto’ e o imaginário nacional
Celebrar o êxito de ‘O Agente Secreto’ no Globo de Ouro não é apenas um ato de cinefilia ou ufanismo, mas de construção de país
Ontem foi mais um dia no qual o ódio, o rancor, a violência e a maledicência não podem vencer a alegria, o reconhecimento e a consciência de que o produto cultural é parte importante da construção de nossa identidade.
A vitória do filme O Agente Secreto, do diretor Kleber Mendonça Filho, do Wagner Moura, e de todo o elenco e equipe técnica da película, no Globo de Ouro, deve ser exaltada também como trunfo político.

Cena de ‘O Agente Secreto’, com Wagner Moura, premiado com o Globo de Ouro.
(Crédito: O Agente Secreto/CinemaScopio/Divulgação)
A parte do Brasil que despreza nossa produção cultural é a mesma que despreza nossas conquistas no campo econômico e social.
Na esquerda, ainda há quem despreze a cultura como campo de disputa política. Discursam de forma professoral, exaltando o potencial bélico e econômico, ignorando que a cultura é parte constitutiva indispensável de ambos. Historicamente, a direita nunca cometeu esse erro.
As batalhas simbólicas permeiam o todo do nosso cotidiano. Raymond Williams foi ao ponto ao afirmar que a cultura é um processo social constitutivo, e não um mero reflexo secundário da economia. Quem perde a batalha dos símbolos, dificilmente vence a batalha da realidade.
Assim, celebrar o êxito de O Agente Secreto não é apenas um ato de cinefilia ou ufanismo, mas de construção de país. Fortalecer o imaginário nacional é a única forma de garantir que o futuro do Brasil seja escrito por nós mesmos, e não ditado por quem se apropria do nosso silêncio.
(*) Ricardo Queiroz Pinheiro é bibliotecário, pesquisador e doutorando em Ciências Humanas e Sociais.























