Domingo, 7 de dezembro de 2025
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O início da Cúpula Popular do BRICS, nesta segunda-feira (01/12), contou com uma forte mensagem em favor de uma maior incidência dos movimentos sociais na elaboração de políticas a serem adotadas pelo bloco de países do Sul Global.

A abertura do evento que acontece no Rio de Janeiro contou com a coordenação de Marco Fernandes e Judite Santos – ambos do Conselho Civil do BRICS –, e também do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Um dos participantes da cerimônia foi José Reinaldo Carvalho, presidente nacional do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), que ressaltou o papel fundamental do BRICS para o Sul Global e como “este encontro fraterno reafirma a vitalidade das organizações que dão vida à luta de nossos povos”.

“Nada prosperará sem a inclusão de trabalhadores, mulheres, jovens, povos indígenas e todas as realidades que compõem o Sul Global. A determinação e a soberania deste mundo globalizado em que vivemos são primordiais. A multipolaridade já é uma realidade incontornável; os povos não tolerarão mais novas formas de dominação”, ressaltou Carvalho.

Mesa da cerimônia de abertura da Cúpula Popular do BRICS
Priscila Ramos / MST

Dilma e outras figuras

A primeira jornada da cúpula teve a participação da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff (2011-2016), que é presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, por sua sigla em inglês) desde março de 2023.

Em seu pronunciamento, Dilma enfatizou que “o mundo atual está mais fragmentado e mais desigual, com o surgimento de um unilateralismo baseado no uso de tarifas e sanções como instrumentos de subordinação política, o sistema financeiro internacional continua sendo profundamente assimétrico, e é por isso que o BRICS e o NDB são necessários, e por isso a voz de vocês (movimentos sociais) é tão importante”.

“Quando João Petro Stédile (liderança do MST) disse perante os chefes de Estado, na Cúpula (do BRICS) no Rio, em julho, que os problemas dos povos não serão resolvidos apenas por iniciativas governamentais, ele enfatizou que vocês são fundamentais para a construção de canais concretos de cooperação entre os diversos países do BRICS”, acrescentou a ex-mandatária e atual gestora do NDB.

Ao encerrar, dirigindo-se diretamente aos movimentos sociais, Dilma pediu que eles “continuem organizados, mobilizados e propondo. O BRICS que sonhamos não é só o BRICS dos gabinetes, é também o BRICS dos povos, dos trabalhadores e trabalhadoras que lutam por dignidade e justiça”.

“Juntos, com visão, coragem e determinação, seguiremos construindo um futuro melhor para os nossos países, nossos povos e as gerações que virão”, completou a presidente do NDB.

O próprio Stédile, citado por Dilma em seu discurso, estava presente na cúpula, além de outras figuras destacadas, como a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e o acadêmico marxista Elias Jabbour.

A Cúpula Popular do BRICS terá jornadas diárias até a próxima quinta-feira (04/12). O evento acontece no Armazém da Utopia, no centro do Rio de Janeiro.