Sábado, 7 de março de 2026
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Ajudar o BRICS a cumprir sua vocação de plataforma para uma maior justiça global, acomodando as diferenças para favorecer a cooperação e com meios de se defender de ataques da velha ordem. Essas são sugestões da sociedade civil para fortalecer o Conselho Civil do bloco, debatidas na Cúpula Popular do BRICS nesta terça-feira (02/12).

Criado no ano passado após o encontro do bloco na cidade russa de Kazan, o Conselho Civil é composto por representantes de movimentos e entidades populares dos 21 países membros do BRICS. Entre 1 e 4 de dezembro, cerca de 150 destes se reúnem no Armazém da Utopia, Rio de Janeiro, para debater como ter maior incidência nas tomadas de decisão.

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“A sociedade civil pode garantir que os investimentos do BRICS sejam socialmente responsáveis. O Conselho pode gerar pesquisas em questões de paz, governança e desenvolvimento, ajudar o BRICS a tomar decisões baseadas em dados reais, princípios científicos”, disse Ahmed Hussen, presidente do Conselho das Organizações da Sociedade Civil da Etiópia.

“O conselho deve pressionar o BRICS a tomar decisões ambientais ambiciosas para atingir a justiça climática. Pode-se fazer uma diplomacia de povo a povo, sem mediação de governos.”

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O etíope ressalta que o bloco não pode cair na armadilha de se tornar “um clube geopolítico de elite”, mas estimular a cooperação em áreas como comércio, tecnologia, energia e segurança”.

Conselho Civil do BRICS defende que bloco seja plataforma para uma maior justiça global, acomodando as diferenças para favorecer a cooperação e com meios de se defender de ataques da velha ordem
X/MST Oficial

Ameaças vindas do Ocidente

Integrante do Conselho Civil pela Indonésia, Ah Maftuchan citou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os Estados Unidos como “as maiores ameaças à segurança global, gerando a erosão das soberanias nacionais”.

“Guerras tarifárias, sanções econômicas, crises financeiras são geradas pelo Ocidente. O desequilíbrio tecnológico e a ausência de uma governança digital pioram o quadro, assim como a crise climática com desastres naturais e pandemias”, diz ele.

“Instituições globais são inadequadas para lidar com esses problemas, são desatualizadas, mal geridas e tem muito pouco impacto.”

Maftuchan defende que o Brics se torne alternativa para esse cenário, melhorando instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a ONU, além de criar outras entidades que sejam opção para o Sul Global.

“O BRICS não pode ser um fórum de alto nível, frequentado por autoridades importantes, mas de base”, defende.

Necessidade de defesa

O tema da segurança foi abordado pelo jornalista Breno Altman. O fundador de Opera Mundi disse que o BRICS, por mais que esteja cada vez mais fortalecido como alternativa do Sul Global, “não passou no teste de impedir o genocídio palestino“.

“A Venezuela é o novo teste, mesmo não integrando o BRICS, por causa de um veto absurdo do Brasil. Um ataque contra Caracas é agressão a todos e uma resposta contundente a essa ameaça ainda não foi dada pelo BRICS”, disse ele.

“Enquanto não for possível se contrapor à estratégia principal da velha ordem, que é a guerra, a agressão, esse bloco contra-hegemônico não será uma oposição verdadeira.”

“Honestamente, perdemos tempo discutindo institucionalidade e governança. O debate deveria ser sobre como construir um bloco capaz de resistir à agressão imperialista”, provocou.

Contraponto indiano

Representante da Índia, o general B K Sharma, diretor-geral do Instituto de Serviços Unificados do país, defendeu o respeito às diferenças como fundamental para o crescimento do BRICS.

“Ideologia e slogans não ajudam. Eles criam inimigos, não parceiros. Não precisamos ser parecidos para trabalharmos juntos, pensando em regimes políticos como democracia, monarquias e sistemas híbridos”, disse o militar.

“80% da humanidade recebe menos do que precisa e o BRICS pode ajudar a reverter isso. O BRICS pode ter voz dentro do FMI. Podemos por energia para melhorar essas instituições, não somos contra o Ocidente.”

“O mundo precisa de mais alternativas, não menos. O projeto do BRICS precisa conquistar maior legitimidade internacional”, concluiu.