Diário do Bolso: Essa turma é o adubo da nossa nova cultura

Para a Biblioteca Nacional veio um cara chamado Rafael Nogueira; o novo presidente da Funarte não fica atrás, ele disse que o fascismo é de esquerda e do Fundo Setorial do Audiovisual é o bispo Edilásio Barra

José Roberto Torero

São Paulo (Brasil)

Caro Diário, chegaram mais três grandes nomes para o governo.

Para a Biblioteca Nacional veio um cara chamado Rafael Nogueira. Ele não é do meio dos livros (o que é um bom sinal, porque lá só tem comunista), é a favor da monarquia (o que vai ser bom quando eu me tornar rei), disse que as letras do Caetano Veloso nos livros didáticos ajudam o pessoal a ficar analfabeto, apoiou o Augusto Nunes quando ele bateu no Glenn Greenwald e é aluno do Olavo de Carvalho, que é o mais importante.

O novo presidente da Funarte não fica atrás. Ele disse que o fascismo é de esquerda (tudo o que é ruim é de esquerda, pô), chamou a Unesco de “máquina de propaganda em favor da pedofilia”, falou que os Beatles queriam implantar o comunismo (cabeludo não presta!), é um terraplanista convicto e é aluno do Olavo de Carvalho, que é o mais importante.

Já quem vai cuidar do Fundo Setorial do Audiovisual, que gerencia 800 milhões por ano, é o Tutuca. Quer dizer, o bispo Edilásio Barra, um dos fundadores da Igreja Continental Amor de Jesus. E ele também é colunista social na tevê, uma espécie de Amaury Júnior carioca. Grande curriculum! Pena que não é aluno do Olavo. Mas ninguém é perfeito.

Essa turma é o adubo da nossa nova cultura.

Mas, se não der certo, também não faz mal. Biblioteca, teatro e cinema não têm a menor importância. Vai tudo virar igreja mesmo.

(*) José Roberto Torero é escritor e jornalista, autor de livros como Papis et Circensis e O Chalaça. O Diário do Bolso é uma obra ficcional de caráter humorístico.

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