Diário, discurso de ontem foi o meu melhor até hoje

Ideia de fazer esse discurso foi do Carluxo; ele disse que o nosso gado, ops, quer dizer, os nossos apoiadores ficaram sem argumento e estavam sumindo das redes sociais

José Roberto Torero

São Paulo (Brasil)

Diário, o discurso de ontem foi o meu melhor até hoje! Xinguei a imprensa, o Dráuzio Varela e um monte de governador.

Falei que o coronavírus é uma “gripezinha”, um “resfriadinho”, me elogiei e prometi que a cura estava chegando.

Xingamento, autoelogio e promessa. Esse sou eu, kkk!

O que eu quero é acabar com esse negócio de quarentena. O Olavo me garantiu que ninguém morreu de coronavírus. E o Olavo tá sempre certo. Ele entende mais de astronomia que astrônomo, mais de filosofia que filósofo, mais de medicina que médico, mais de sanitário que sanitarista.

De qualquer forma, acho que a subnotificação vai me salvar. Quando chega alguém suspeito de ter a doença num hospital, mandam o cara para casa sem fazer exame nenhum. Só aceitam quem tá quase morrendo. Então o número oficial de casos no Brasil vai ser baixinho. De dez a quinze vezes menos do que o número real, dizem uns médicos aí.

A ideia de fazer esse discurso foi do Carluxo. Ele disse que o nosso gado, ops, quer dizer, os nossos apoiadores ficaram sem argumento e estavam sumindo das redes sociais. Então eu precisava dar munição pros caras.

Ele e mais uns assessores passaram o fim da tarde ajeitando o discurso comigo. A parte que eu gostei mais foi a do “histórico de atleta”. Se bem que teve dois garotos da equipe que quiseram fazer gracinha.

Um disse: “Presida, você é campeão olímpico de flexão de pescoço”.

E o outro falou: “O histórico de atleta do Capitão é que nem o do Valdívia: passa o tempo todo na enfermaria”.

Despedi os dois na hora. Piadinha comigo não, violão!

O Carluxo me garantiu que os robôs iam fazer o #BolsonaroTemRazão dominar o Twitter. Só que quem ficou em primeiro lugar nos “trending topics mundial” foi o #ForaBolsonaro. Tem que ver isso daí, pô!

Mas o pior foram os comentários.

Teve coisa do tipo: “Vamos combinar assim: bolsonarista vai pra rua, comunista fica em casa”.

Ou então: “Se o Presidente estivesse no paredão de hoje do BBB, já tinha caído”.

E o pior de todos: “Já que o cara assina coisa sem ler, podiam deixar uma carta de renúncia na mesa dele”.

Fiquei até meio ressabiado, Diário. Por via das dúvidas, não vou assinar nada por esses dias.

PS: Chega de panelaço, pô!

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