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ONU aprova resolução que pede fim de bloqueio a Cuba com 189 votos a favor; Israel e EUA foram contra

Ucrânia e Moldávia não votaram, nem se abstiveram; segundo chanceler cubano Bruno Rodríguez, "bloqueio constitui uma violação flagrante, massiva e sistemática dos direitos humanos das cubanas e dos cubanos"

Redação

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A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira (01/11) uma resolução que pede o fim do bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba, vigente desde os anos 1960.

Por 189 votos a favor e 2 contra, a resolução foi discutida e aprovada pela 26ª vez consecutiva. Votaram contra EUA e Israel, e não houve abstenções. A Ucrânia e Mold´ávia não votaram, tampouco se abstiveram, de forma que não entram na contagem. Todas as emendas à resolução que haviam sido apresentadas pelos EUA foram rejeitadas. O Brasil votou a favor do texto.

Em 2017, 191 dos 193 estados-membros haviam votado pelo fim do bloqueio. Em 2016, último ano do governo do democrata Barack Obama, os Estados Unidos, que estavam em rota de reaproximação com Havana, se abstiveram e não houve votos contra a resolução.

Em seu pronunciamento, o embaixador cubano na ONU, Bruno Rodríguez, afirmou que a continuidade do bloqueio é uma "violação flagrante" contra a ilha. "O bloqueio constitui uma violação flagrante, massiva e sistemática dos direitos humanos das cubanas e dos cubanos e tem sido um impedimento essencial para as aspirações de bem-estar e prosperidade de várias gerações", disse.

O chanceler ainda destacou que "o bloqueio continua sendo o obstáculo fundamental do desenvolvimento cubano" e que ameaça a liberdade das nações. "É um ato de agressão e de guerra econômica", afirmou. "O governo dos EUA não tem a menor autoridade moral para criticar Cuba nem nada sobre a matéria de direitos humanos. Rechaçamos a reiterada manipulação deles com fins políticos", concluiu Rodríguez

A atual embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, afirmou que o órgão "não pode colocar fim ao bloqueio a Cuba", mas poderia "enviar uma mensagem" ao país e condenar supostas "violações de direitos humanos".

Discursos

Uma série de países se manifestou durante os dois dias da sessão da Assembleia Geral. 

Em nome do bloco dos Países Não Alinhados, o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, rechaçou a política dos EUA com relação a Cuba e destacou que, nos últimos 27 anos, a Assembleia Geral tem votado a favor do país caribenho.

"O bloqueio constitui uma violação do desenvolvimento de Cuba, privando o país de dialogar com o plano internacional. O dano indireto e direto afeta todos os setores vitais da economia", disse o embaixador.

Em nome do Grupo dos 77, que compreende nações do sul em desenvolvimento, o embaixador do Egito na ONU, Mohamed Fathi Ahmed Edrees, ressaltou a importância de Cuba no cenário global e disse que "o fim do bloqueio contribuiria para o desenvolvimento mundial".

Também argumentaram a favor de Cuba o embaixador do Vietnã nas Nações Unidas, Dang Dinh Quy, e o representante da Jamaica na ONU, Courtenay Rattray.

Ambos destacaram a importância do respeito à soberania dos povos e expressaram seu descontentamento com a continuidade do bloqueio norte-americano.


Manifestação do presidente 

Pelo Twitter, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel celebrou a vitória do país na votação, dizendo que os "povos do mundo votaram por Cuba". 

"Vitória da nossa Cuba. Os Estados Unidos sofrem dez derrotas em uma. As pessoas do mundo votaram em Cuba porque sabem que nossa causa é verdadeiramente justa. Cuba é respeitada. Por Fidel e Raúl, pela revolução e pelo povo cubano".

Veja como foi a votação:

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