Governo eleito de Bolsonaro chamou Maduro para posse, mas voltou atrás, diz Itamaraty

Itamaraty diz que, inicialmente, havia orientação para chamar todos os chefes de Estado com quem Brasil tem relações, mas governo eleito pediu para que recomendação fosse alterada

Redação

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O Itamaraty confirmou nesta segunda-feira (17/12) a Opera Mundi que convidou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, sob orientação do novo governo, mas que voltou atrás após um pedido da própria equipe de transição.

"Toda a organização da posse é feita em coordenação com o governo eleito. Os atos são formalizados pelo governo atual (até primeiro de janeiro de 2019, como previsto na Constituição), após consulta à equipe que assumirá na ocasião. Inicialmente, o Itamaraty recebeu do governo eleito a recomendação de que todos os chefes de Estado e de Governo dos países com os quais mantemos relações diplomáticas deveriam ser convidados e assim foi providenciado. Em um segundo momento, foi recebida a recomendação de que Cuba e Venezuela não deveriam mais constar da lista, o que exigiu uma nova comunicação a esses dois governos", afirmou, em nota.

No domingo (17/12), o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, afirmou que o presidente Nicolás Maduro havia sim sido convidado pelo Itamaraty, mas que havia declinado.  A declaração veio pouco tempo depois de o futuro chanceler de Bolsonaro, Ernesto Araújo, dizer que o venezuelano não teria sido convidado. "Em respeito ao povo venezuelano, não convidamos Nicolás Maduro para a posse do PR Bolsonaro. Todos os países do mundo devem deixar de apoiá-lo e unir-se para libertar a Venezuela", escreveu Araújo.

No entanto, também pelo Twitter, Arreaza publicou dois documentos que comprovam o convite feito ao governo venezuelano. Uma das cartas é do próprio ministério das Relações Exteriores do Brasil que afirma que "o governo brasileiro tem a honra de convidar para as cerimônias de posse presidencial o chefe de estado ou de governo desse país".

O outro documento, que data do dia 29 de novembro, foi redigido pela embaixada brasileira na Venezuela. "Nesse sentido, a embaixada tem a honra de transmitir o convite do governo brasileiro a sua excelência, o senhor Nicolás Maduro Moros, presidente da República Bolivariana da Venezuela, a assistir à cerimônia de posse na capital brasileira", diz a carta.

Segundo o chanceler venezuelano, Caracas rejeitou o convite feito pelo Itamaraty, e disse que "o presidente Nicolás Maduro jamais considerou assistir à posse de um governo como o de Jair Bolsonaro". "O governo socialista, revolucionário e livre da Venezuela jamais assistiria a posse de um presidente que é a expressão da intolerância, do fascismo e da entrega a interesses contrários aos da integração latino-americana e caribenha", diz um documento divulgado por Arreaza.

Bolsonaro também se manifestou no domingo sobre os convites para sua posse, dizendo que Maduro "não recebeu [convite] e nem vai receber. Nem ele, nem o ditador que substituiu Raúl Castro", disse o presidente eleito, em referência ao governo do mandatário cubano, Miguel Díaz-Canel.

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Segundo o chanceler venezuelano, "o presidente Nicolás Maduro jamais considerou assistir à posse de um governo como o de Jair Bolsonaro"

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