Líderes e organizações mundiais criticam declarações de Grupo de Lima e manifestam apoio à Venezuela

Presidente do Mexico, Andrés Manuel López Obrador, afirmou que seu governo irá "respeitar os princípios constitucionais de não intervenção e autodeterminação dos povos"

Redação

São Paulo (Brasil)

Líderes e organizações civis de diversos países manifestaram repúdio às declarações do Grupo de Lima sobre não reconhecer o próximo mandato do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e deram apoio ao país latino-americano.

O governo do México, apesar de integrar o bloco que foi criado em 2017, foi o único país que se recusou a assinar o posicionamento adotado pelas demais nações do continente americano.

Ainda neste sábado (05/01), o presidente do Mexico, Andrés Manuel López Obrador, afirmou que "vamos respeitar os princípios constitucionais de não intervenção e autodeterminação dos povos em matéria de política exterior".

"Por isso não se assinou essa carta que condena o governo da Venezuela. Nós não nos envolvemos em assuntos internos de outros países porque não queremos que outros governos se intrometam em assuntos que só correspondem aos mexicanos", disse o mandatário.

Segundo o subsecretário do país para América Latina e Caribe, Maximiliano Reys, "México, no fiel cumprimento de seus princípios constitucionais de política exterior, se absterá de emitir qualquer tipo de pronunciamento em relação à legitimidade do governo venezuelano".

O representante do governo mexicano ainda disse que "nossa consideração se guiará pelas possibilidades de um diálogo inclusivo com objetivo de alcançar as condições de estabilidade necessária para o desenvolvimento do povo venezuelano em um sinal de paz, democracia e segurança".

O presidente da Bolívia, Evo Morales, elogiou a posição mexicana "por defender o princípio de não intervencionismo e deixar sem apoio os atos de golpismo diplomático encabeçados pelos EUA através do Grupo de Lima".

Em sua conta no Twitter, o mandatário boliviano ainda disse que "a democracia se sustenta na paz, no diálogo e na autodeterminação dos povos".

Por sua vez, a chancelaria de Cuba se pronunciou indicando o "invariável apoio" ao governo da Venezuela. Segundo o ministro das Relações Exteriores da ilha, Bruno Rodríguez, Cuba rechaça as "ações de ingerência contra essa nação irmã" e ainda celebra "êxitos ao novo mandato do presidente Nicolás Maduro.

O governo do Uruguai também manifestou repúdio à postura do Grupo de Lima e disse que procura uma resposta baseada no diálogo.

Recentemente, a coalizão governista de esquerda Frente Ampla expulsou de suas fileiras de filiados o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, após o uruguaio considerar uma intervenção militar contra a Venezuela.

Europa

Em Bruxelas, a Rede Europeia de Solidariedade à Revolução Bolivariana, que conta com mais de 80 organizações de diversos países do continente, também rechaçaram as declarações do Grupo de Lima.

"Queremos denunciar diante dos povos do mundo a pretensão da direita internacional, em concordância com opositores venezuelanos e o conhecido Grupo de Lima, de desconhecer a vontade do voto do povo venezuelano expressada nas urnas através de um processo eleitoral democrático e transparente avaliado por organismos internacionais onde 67,84% dos votos elegeram a renovação do mandato constitucional do presidente Nicolás Maduro", disse a organização em comunicado oficial.

O partido comunista da Espanha também se pronunciou denunciando "ações imperialistas" contra o país latino-americano.

"Este é mais um passo na escalada de agressões imperialistas e de intentonas golpistas que sofre o povo da Venezuela, com o objetivo de subverter a legalidade constitucional e provocar situações para intervir militarmente no país, como já declarou Luís Almagro", diz o comunicado do partido comunista espanhol.

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