OEA

Nomeação de indicado por Guaidó para ser embaixador na OEA fere direito internacional, diz Venezuela

Ato é, segundo Caracas, 'vulgar instrumentalização da chantagem e da pressão contra os Estados membros para satisfazer os desejos da política neo-monroísta de Washington'

O governo da Venezuela rechaçou nesta quarta-feira (10/04) a decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de aceitar como embaixador do país Gustavo Tarre, nomeado pelo deputado de direita Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino.

Segundo comunicado oficial, Caracas afirma que a ação é criminosa perante as normas do direito internacional e que se trata de uma "vulgar instrumentalização da chantagem e da pressão contra os Estados membros para satisfazer os desejos da política neo-monroísta de Washington".

"Com a ilegítima aceitação de um fantoche político cuja espúria existência resulta da transgressão do ordenamento jurídico da República Bolivariana da Venezuela, a OEA valida o plano de golpe de Estado iniciado em 23 de janeiro passado e pretende criar condições para aprofundar a agressão ingerencista contra nosso país, incluindo a ameaça de uma intervenção militar", diz o comunicado.

Em reunião realizada nesta terça-feira (09/04), a organização aprovou, com apoio de 18 de seus 34 países membros, a resolução que nomeia Tarre como "representante permanente da República Bolivariana da Venezuela no Conselho Permanente da OEA". O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, em carta ao embaixador dos EUA na organização, reiterou a nomeação de Tarre.

O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, denunciou o que chamou de "aberração jurídica", pois, segundo ele, a organização nomeou um representante de um governo que não existe oficialmente.

"Almagro não tem autoridade para reconhecer presidentes. Essa aberração jurídica [...] só é possível pela intenção fraudulenta do embaixador dos EUA que é cúmplice do delito", escreveu Moncada em sua conta no Twitter.

O governo da Venezuela ainda afirmou que "Washington forçou uma decisão criminal, iniciou uma rota tenebrosa que assombra o futuro das relações entre os Estados do continente" e destacou suas intenções de deixar a OEA até o final do mês de abril.

"O governo da Venezuela ratifica sua indeclinável decisão de abandonar a Organização dos Estados Americanos no próximo dia 27 de abril de 2019", afirma.

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