Itamaraty anuncia fechamento de cinco embaixadas no Caribe

Encerramento visa “adequar as necessidades da política externa à realidade de recursos humanos e financeiros”

O Ministério das Relações Exteriores, comandado por Ernesto Araújo, determinou nesta terça-feira (04/06) o fechamento de cinco embaixadas no Caribe. São elas: Roseau (Dominica), St. John’s (Antígua e Barbuda), St. George’s (Granada), Basseterre (São Cristóvão e Névis) e Kingstown (São Vicente e Granadinas). 

Segundo o Itamaraty, o encerramento das atividades visa “adequar as necessidades da política externa à realidade de recursos humanos e financeiros”. O Brasil analisa ainda a possibilidade de fechar outras duas embaixadas: Monróvia (Libéria) e Freetown (Serra Leoa), segundo informações do jornal Valor Econômico.

A chancelaria comunicou que a medida foi tomada após quatro pontos serem levados em consideração: a baixa representatividade – ou inexistência de brasileiros – nos países; alta concentração de trabalho de caráter administrativo; pouca expressão do comércio bilateral; e elevado custo orçamentário para manter as representações diplomáticas. 

De acordo com o Itamaraty, os fechamentos não significam “diminuição do relacionamento bilateral”. A pasta informou ainda e que os interesses do país “serão resguardados através da designação de outros postos diplomáticos da região que tenham sua estrutura já pronta ou possa ser otimizada para ocupar-se de novas funções”. 

Em entrevista concedida à Revista Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a medida não reduz gastos de forma significativa e gera consequências negativas. “O custo dessas embaixadas é mínimo. Isso apenas demonstra desinteresse”, afirmou. 

Segundo ele, “ao tomar essa atitude, o ministério não reconhece a importância do Brasil no Caribe, que não pode ser medida apenas por comércio. Esses países são pequenos, então a relação comercial vai ser pequena, mas essa proximidade é importante para prestígio internacional, questões eleitorais na ONU, para negócios, segurança”, afirmou o ex-chanceler. 

Relação bilateral

O Itamaraty informou que um dos motivos para o encerramento das atividades nos países do Caribe foi o alto custo operacional necessário para manter as instalações. 

Segundo a pasta, entre 2008 e 2017, foram gastos R$ 10,04 milhões para manter a embaixada de São Cristóvão e Nevis, R$ 10,67 10,67 milhões em Antígua e Barbuda; R$ 8,18 milhões em São Vicente e Granadinas e R$ 7,32 milhões em Dominica. Os valor gasto em Grenada não foi informado pelo Itamaraty. 

Somente em 2018, no entanto, o comércio bilateral entre Brasil e Dominica totalizou R$ 15,5 milhões, segundo informações disponíveis no site do Itamaraty. Com Antígua e Barbuda a movimentação foi de R$ 62,5 milhões; em Granada, chegou a R$ 34,8 mi; e em São Cristóvão e Nevis, R$ 15 mi. 

Entre 2003 e 2010, o governo Lula criou 67 embaixadas no exterior, principalmente em países caribenhos e africanos. Todas as representações diplomáticas fechadas até agora estão entre as criadas pelo petista durante o período.

José Cruz/Agência Brasil
Itamaraty determinou o fechamento de cinco embaixadas no Caribe.

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