Eduardo completou idade mínima para virar embaixador um dia antes do anúncio de Bolsonaro

Chanceler Ernesto Araújo se encontra hoje com Eduardo e com presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad

Rafael Targino

São Paulo (Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) disse nesta quinta-feira (11/07) que tomou a decisão de enviar o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o posto de embaixador em Washington, o mais importante da diplomacia brasileira. O anúncio veio um dia depois de o parlamentar completar 35 anos, idade mínima para assumir o cargo.

O favorito para o posto era o diplomata Nestor Forster, que contava com o apoio do chanceler Ernesto Araújo e era bem visto entre os que gravitam em torno do guru ideológico e autointitulado filósofo Olavo de Carvalho. O país está sem embaixador em Washington desde a remoção de Sergio Amaral, em abril.

E as articulações para a nomeação já começaram. A agenda de Araújo para esta sexta (12/07) inclui uma reunião com Eduardo às 9h e, ao final do dia, outra com o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Nelsinho Trad (MDB-MS). 

Uma eventual ida de Eduardo para a embaixada em Washington ainda precisaria ser referendada pelo Senado, com sabatina na comissão presidida por Trad e da qual, como suplente, faz parte o irmão de Eduardo, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), além de votação secreta em plenário.

O presidente Jair Bolsonaro apontou, como motivos para indicar o filho à embaixada, que Eduardo é amigo dos filhos do Donald Trump, fala inglês e espanhol, tem uma vivência muito grande do mundo. Poderia ser uma pessoa adequada e daria conta do recado perfeitamente". 

Michel Jesus/ Câmara dos Deputados
Eduardo Bolsonaro deve ser indicado pelo pai como embaixador em Washington

Bolsonaro também sugeriu que o processo de agrèment - quando o nome do possível embaixador é enviado ao país  para onde ele será indicado a fim de que o governo local dê a anuência ou não - teria sido de alguma maneira iniciado. “Quando a gente vai indicar os embaixadores, o serviço de inteligencia faz os contatos também”.

Para assumir o posto, Eduardo, que também é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, precisaria renunciar ao mandato de deputado federal. No entanto, logo após o anúncio de Bolsonaro, aliados do presidente se mobilizaram para apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), do deputado Capitão Augusto (PL-SP), que permitiria a nomeação a uma embaixada sem a perda do mandato. Ao Globo, Augusto disse que a proposta não está relacionada à indicação.

“Tento apresentar essa proposta desde a última legislatura . Mas outros temas eram mais prioritários e acabei não investindo. Agora, com essa indicação, vou acelerar a coleta de assinaturas. Tenho cerca de 140. E também vou pedir celeridade na votação”,

Para que a PEC seja proposta, são necessárias 171 assinaturas, e Augusto afirma ter cerca de 140. O caminho para a aprovação, no entanto, é longo e depende da boa vontade da Câmara com o governo: a proposta precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça, por uma comissão especial para analisar o tema e só daí chega ao plenário da Câmara, onde precisa ser aprovada em dois turnos com maioria de três quintos (308 votos). Depois disso, precisa passar pelo Senado, onde é analisada em comissões e tem que ser aprovada por maioria qualificada (49 senadores) em dois turnos.

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