Além de Bolsonaro, apenas rei da Arábia Saudita nomeou filho como embaixador nos EUA

Khalid bin Salman foi embaixador da Arábia Saudita nos EUA entre 2017 e 2019, mas se retirou do posto após ser acusado de envolvimento no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de nomear o filho Eduardo como embaixador do Brasil nos Estados Unidos possui apenas um precedente: quando o rei da Arábia Saudita escolheu o filho Khalid bin Salman como embaixador saudita nos EUA.

Khalid serviu como representante diplomático do país árabe entre os anos de 2017 e 2019, quando se retirou do posto após a morte do jornalista Jamal Khashoggi na embaixada saudita em Istambul, na Turquia. Tanto o príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, quanto Khalid, hoje vice-ministro da Defesa, são suspeitos de envolvimento na morte de Khashoggi.

Com a indicação de Khalid, o reino saudita esperava estreitar os laços com Washington e melhorar a imagem do príncipe Mohammed bin Salman.

Catar e Marrocos

Indicações familiares para a embaixada em Washington ainda aconteceram em mais dois países. A representação diplomática do Catar nos EUA é ocupada por Meshal Hamad AlThani, irmão do Emir catari, Tamim Bin Hamad. 

Por sua vez, a embaixadora do Marrocos nos EUA, a princesa Lalla Joumala Alaoui, é prima de Mohammed 6º, rei do país.

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Khalid se reúne com secretário de Estado dos EUA, Mike Pomepo

Bolsonaro disse nesta quinta-feira (11/07) que tomou a decisão de enviar o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para o posto de embaixador em Washington, o mais importante da diplomacia brasileira. O anúncio veio um dia depois de o parlamentar completar 35 anos, idade mínima para assumir o cargo.

O favorito para o posto era o diplomata Nestor Forster, que contava com o apoio do chanceler Ernesto Araújo e era bem visto entre os que gravitam em torno do guru ideológico e autointitulado filósofo Olavo de Carvalho. O país está sem embaixador em Washington desde a remoção de Sergio Amaral, em abril.

Uma eventual ida de Eduardo para a embaixada em Washington ainda precisaria ser referendada pelo Senado, com sabatina na comissão presidida por Nelsinho Trad e da qual, como suplente, faz parte o irmão de Eduardo, o senador Flávio Bolsonaro, além de votação secreta em plenário.

O presidente Jair Bolsonaro apontou, como motivos para indicar o filho à embaixada, que Eduardo é amigo dos filhos do Donald Trump, fala inglês e espanhol, tem uma vivência muito grande do mundo. Poderia ser uma pessoa adequada e daria conta do recado perfeitamente".

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